Inculto de Jovens

Vi por esses dias um convite para um Culto de Jovens. Hoje em dia, com o intuito de atrair pessoas, tem-se feito um esforço criativo de inventar algo que chame a atenção da garotada, o que por si só já é um indício de como estamos distantes do Evangelho da Cruz.  Afinal, o prazer de adorá-Lo e estar na presença de seu Santo Espírito já deveria nos bastar.

Mas, nessa ânsia de novidade, nos deparamos com verdadeiras atrocidades. Abaixo, segue a “arte” do convite. Única alteração que fiz foi grosseiramente apagar o endereço da igreja.

convite_Jesus_Freak

Sem contar com o gosto duvidoso, a primeira coisa que me chamou a atenção foi a mensagem que o convite traz. Um cabra pulando com uma guitarra, utilização do preto, está, em termos de linguagem muito mais próximo de um show de Rock do que com um culto a Deus.

O texto que serve como ancoragem é terrível, tanto linguisticamente, pois “a gente” somos nós, e “agente” é o 007; quanto teologicamente.

Enlouquecer?  Seríamos nós os que perecem? Afinal, o princípio bíblico é que “(…) a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus”. (1 Coríntios 1:18). Na realidade, chegar-se a Cristo não é enlouquecer, é retomar a razão. Afinal, prestamos nosso Culto Racional, através da transformação do nosso entendimento, e buscamos ter a mente de Cristo, algo que não pode, sob nenhum aspecto, ser louca, pois a própria Razão é um atributo de Deus compartilhado com os homens.

Sei que está na modinha gospel a história de ser louco por Jesus. Isso é coisa de cheirador de Bíblia. Se buscarmos ler as Escrituras, ao invés de cheirar ou comer, ganharíamos muito.

Outra coisa que é modinha gospel é a aplicação totalmente equivocada das palavras do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 9:22 “Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns”.  Utilizam este versículo para defender um modernismo na igreja, visando atrair os descrentes. Mas, se esta aplicação fosse correta, poderíamos inferir que devemos nos drogar para ganhar os drogados, adulterar para ganhar os adúlteros, mas simples bom senso já evidencia o absurdo da proposição.  O que o texto realmente vai tratar é sobre empatia e compaixão.E por isso mesmo não invalida a necessidade da Igreja ser Santa.  Nas palavras de Jonathan Edwards: “a igreja deve ser visível, e deve ser visivelmente igreja”.

Mas o pior ainda estar por vir. Devido a minha falta de conhecimento do inglês, pedi ajuda ao amigo e novo “pai dos burros”, o google, para saber o que significa “Freak”, parte do nome do culto. Abaixo, print:

Jesus freak

Talvez o indivíduo que colocou esse nome no culto estivesse pensando em “extravagância”. Se for, já está errado, pois cultos de adoração extravagante é um expressão que remete a inúmeros modismos e heresias modernas, como anjos cutucadores,  anjos massageadores,  e toda uma série de baboseiras neo-pentecostais.

Porém, a escolha do nome é ainda mais infeliz quando se percebe as outras possíveis traduções de “freak”: aberração, capricho, anomalia, aborto, fantasia, esquisito, grotesco, esdrúxulo. 

Meu Jesus, que igreja é essa que estamos construindo?  Que falta de percepção das coisas de Deus! Eu não tenho como descrever a indignação  que sinto em perceber que caminhamos a passos largos para uma apostasia institucional.  Cadê o pastor desse indivíduo, que permite que esse tipo de insulto a Cristo ocorra debaixo do seu nariz?  Quem aprovou essa barbárie?

A igreja está acéfala? Os crentes, firmados na Palavra, estão onde, pensando em que, para não perceber que se um cego guiar outro, ambos cairão? O nosso compromisso é com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra, e não com modinhas e atrair bodes. Como já foi pregado por Charles Spurgeon, estamos apascentando ovelhas ou entretendo bodes?

Pense nisso.

#Podeisso,Arnaldo?

 

As Falácias de Jean Wyllys

Jean-Wyllys-Jogo-do-Poder

Em um vídeo que circula na internet, com a entrevista que o Deputado sr. Jean Wyllys concedeu ao programa Jogo do Poder da CNT, com o jornalista Ricardo Bruno, o deputado federal pelo PSol do RJ se dispõe a contra argumentar posicionamentos adotados pelo pastor evangélico Silas Malafaia. Deixo claro que não concordo com todos os posicionamentos do pr. Silas, mas o sr. Jean consegue cometer inúmeras falácias no seu pronunciamento. Neste post utilizamos a definição de falácia como “argumento logicamente inconsistente “, um recurso utilizado para falsear e convencer os mais incautos. Mas que não resiste a mera observação criteriosa dos mesmos.

Com o intuito de demonstrar claramente estas falácias, segue o vídeo que me refiro. Peço que você o veja antes das minhas considerações. Assim teremos dado ampla voz a outra parte do debate. Em seguida vou tecer meus comentários.

LINK VÍDEO –  CLIQUE AQUI

0:38 – Jean chama Silas de “intelectualmente desonesto” – Falácia ad hominem;

No início da sua fala, o deputado começa com ataque pessoal. Esta falácia tem por objetivo tirar a validade do argumento a partir da invalidação do emissor do argumento. Desta forma, fica implícito que todo argumento do pr. Silas já será desonesto, deturpado, e sem mérito para análise. Para justificar esta classificação de “intelectualmente desonesto” ele irá incorrer em outra falácia.

0:54 – “Desqualificações públicas passam necessariamente pelas igrejas e pelas interpretações fundamentalistas da bíblia ”  – Falácia de Distorção de Fatos e Falácia do Espantalho (é um argumento em que a pessoa ignora a posição do adversário no debate e substitui por uma versão distorcida e exagerada, e que representa de forma errada esta posição)

Basicamente, o sr. Jean vai tentar ligar a violência dura contra os homossexuais com a afirmação de que homossexualidade é pecado. Não existe nenhuma nenhuma ligação. A pregação do evangelho não pressupõe a violência, antes a paz, a reconciliação de Deus e o mundo através da morte e ressurreição de Cristo, e Nele termos TODOS os pecados perdoados e nascermos de novo como filhos de Deus, em um processo de santificação que findará apenas na glória. E esta é a posição mais ortodoxa possível das escrituras.

Eu não tenho a menor ideia de onde o dep. Jean Wyllys tirou a ideia de desumanização do homossexual a partir da igreja cristã (1:24). Nunca o cristianismo se posicionou com a afirmação de que os homossexuais não são humanos, ou são uma subcategoria. Falar que o ser humano é pecador não o desumaniza, antes confirma a sua humanidade de filho de Adão, e carente de Jesus.

Mesmo que eu considere a possibilidade remota de que alguém que se diz cristão tenha cometido um ato de violência dura contra um homossexual, utilizando como justificativa a bíblia, isso não o faz porta voz da Igreja. E detalhe, pessoalmente não conheço nenhum caso.

Essa distorção dos fatos mostra apenas a falta de conhecimento teológico do sr. Jean, ou um premeditado ataque à Escritura com o interesse de desqualificá-la.

1:55 “Reconhecer que a bíblia não pode ser tomada ao pé da letra” – Falácia de Petitio Principii ou Petição de Princípio

O sr. Jean comete a falácia de petição de  princípio ao afirmar como fato incontestável que a bíblia é um livro comum com mero valor histórico, logo passível de uma interpretação livre.

Porém, isto não é uma fato inconteste. A visão reformada é que a bíblia não é um mero livro comum de valor puramente histórico, mas sim é a Palavra de Deus, inerrante, infalível, inspirada verbal e plenariamente. Logo ela não pode ser interpretada livremente  mas seguindo os critérios da hermenêutica, e seu conteúdo fundamental é tão válido para uma civilização de 3 mil anos atrás quanto será válida para uma civilização 3 mil anos no futuro, pois se trata de valores e princípios eternos.

2:32 “Quem conferiu autoridade científica a Silas Malafaia?” – Novamente, Falácia ad hominem.

Para desqualificar o argumento, o sr. Jean apenas questiona a autoridade de Silas sobre o assunto. Curiosamente, o pr. Silas é psicólogo por formação, e o sr. Jean tem sua habilitação em Jornalismo e Letras. Pessoalmente penso que um psicólogo tem maior embasamento científico em comportamento do que um jornalista ou professor de letras. Verdadeiro tiro no pé, em termos de argumentação.

3:05 –  “Implicações genéticas” – Falácia de Apelo à autoridade Anônima

Alguém poderia me citar objetivamente a fonte desta afirmação? Qual foi a pesquisa, feita onde e por quem, reconhecida publicamente e  pela comunidade científica internacional que PROVA esta afirmação?

Ninguém até hoje provou esta afirmação. E o ônus da prova cabe as que afirmam a causa genética da homossexualidade. Lamentável a utilização desta falácia por um senhor que se apresenta como “homem de ciência”.

E o pior é que ao invés de apresentar dados concretos a “prova científica” da afirmação do sr. Wyllys é um dado empírico, baseado em sua experiência pessoal.  Isto é um excelente exemplo de como NÃO se fazer ciência: “Não tenho provas, mas comigo aconteceu assim, logo essa é a realidade final dos fatos”.

3:39 -“A igreja já evocou argumentos bíblicos para negar os direitos aos negros ”  – Falácia de Apelo ao Preconceito, e Falácia de Definição muito ampla, e novamente Falácia de Distorção dos Fatos

É muita falácia junta!  Indo por partes: É falácia de Apelo ao Preconceito por criar uma ligação inexistente, uma vez que não conseguiu provar a questão genética da homossexualidade, com o preconceito étnico, que tem claramente uma definição genética. Dessa forma, pretende-se atrair a simpatia à causa Homossexual, uma fez que o preconceito étnico é nitidamente rejeitado. E com isso, cria-se uma antipatia à Bíblia, novamente taxada de retrógrada e datada.  Mas, repito, é um desvio do assunto em questão a té que se tenha PROVAS com dados CONCRETOS sobre a questão genética da homossexualidade.

Definição muito ampla é por que os critérios utilizados para esta abordagem não tem a menor especificidade. Cadê o conceito de discriminação racial e escravidão como consta na bíblia? É um anacronismo forçado, sem relação com o que realmente á apresentado nas escrituras. Por exemplo, a escravidão registrada na bíblia não se dava por dominação de outros povos, como vimos em períodos mais recentes da história, e sim normalmente por dívidas, por um determinado tempo, com restituição da liberdade e bens no ano do Jubileu, ou seja é totalmente diferente do conceito de escravidão da idade média e moderna. Sem contar que o movimento em prol os diritos civis dos negros partiu da própria igreja, com homens como o Pr. Martin Luther King. Ou seja, só quem pode interferir na crença  cristã é a própria igreja, seguindo o princípio da fé reformada que diz que a igreja sempre está se reformando. A igreja, não movimentos externos a ela, movimentos estes que não tem o menor embasamento bíblico e teológico.

4:42  – “Cada um tem direito de crer no que quer” – Falácia do Estilo sem substância

Neste momento o sr. Wyllys beira o humorismo. Começa afirmando que cada um pode crer ou descrer no que bem entender, mas desde que esta crença esteja de acordo com o que ele julga ser o correto. Ou seja, qual seria essa liberdade de crença? Portanto, o mesmo  diz algo totalmente sem sentido, utilizado apenas um formato palatável de cordato e coerente.

4:55 –  “Falo como homem de ciência” –  Novamente Falácia de Apelo à autoridade Anônima

O sr. Jean neste momento se posiciona como autoridade científica, e baseado nesta autoridade acadêmica ele irá representar a opinião do universo acadêmico, mas consegue apenas demonstrar  um profundo desprezo pelo conhecimento acadêmico, uma vez que este é dividida em áreas de atuação, e quando mais profundas, mais específicas. Mesmo que alguém tenha um pós doutorado  em medicina, isto não o capacita para construir um prédio – fatalmente o CREA iria embargar a obra. De igual modo, o Ministro Joaquim Barbosa, presidente do nosso STF, não se aventuraria em realizar uma operação cardíaca em algum paciente, pois o conhecimento que ele tem é específico, voltado a leis, e não à medicina.

Porém, o sr. Jean, que é jornalista e com formação em Letras, se aventura áreas do conhecimento totalmente fora do seu campo, se arvorando uma sapiência que não possui! O sr. Jean Wyllys é absolutamente leigo em teologia, e acha que o domina este assunto, mas mostra a total ignorância quando tenta responder a questão sobre Levítico. Ele afirma que: “a bíblia foi escrita em aramaico, traduzida para o grego e depois para o latim (…)”. Qualquer aluno de escola dominical sabe que língua predominante no Velho Testamento é o hebraico, e o novo testamento não foi traduzido para o grego, ele foi ESCRITO em grego, com a exceção do Evangelho de Mateus. As traduções utilizadas pelos protestantes não tem sua origem na Vulgata latina, mas nos textos com suas línguas originais.

5:23 – “A palavra abominação não tinha o sentido que tem hoje” – Novamente de novo Falácia de Apelo à autoridade Anônima

Hahã, então qual seria este sentido à época, e seu equivalente moderno? Baseado em que ele faz essa afirmação? O seu mestrado em letras não foi em hebraico, muito menos em aramaico, segundo a ideia de texto original do sr. Jean.

6:30 – “A gente mataria mulheres que não casam virgens (…)” Falácia do Espantalho.

Mas uma vez o sr. Jean demonstra total ignorância teológica, com o intuito de desqualificar a bíblia. Todo cristão sabe que o Antigo Testamento aponta para o Novo, e que todas as leis cerimoniais são para ensinar aspectos morais e a obra redentora de Cristo.  Por isso não sacrificamos animais, pois ele apontava para o sacrifício de Cristo, consumado no madeiro. Porém as leis morais são leis eternas. Deus continua reputando por pecado tudo aquilo que Ele  reputou no passado, como no caso específico em questão, a prática da homossexualidade.

No final da entrevista, mais do mesmo. Finaliza atacando a pessoa do pr. Silas(ad hominen), insinuando um interesse monetário na pregação contra a prática homossexual, o que é absolutamente irracional, pois sabe-se que seria muito mais viável financeiramente, caso o interesse fosse esse, pregar pró homossexualidade, pois seria uma fatia  nova e grande no mercado.

Minha opinião pessoal em vista de tudo isso, é que raramente se consegue ver tanta ignorância, falácias, arrogância, deturpações e má fé em apenas 7:33 .  Talvez haja um recorde para isso.

Em tempo: Você tem toda a liberdade para opinar, argumentar, discordar de mim. Todo comentário que exprima um pensamento contrário ou a favor será publicado após moderação, desde que seja um debate de ideias, com argumentos claros e que tenham a ver com o post.  Naturalmente, xingamentos, palavras de baixo calão, ofensivas, serão desconsideradas.

 

O Maior Escândalo de Todos os Tempos

Um escândalo percorre os corredores da congregação, passa pelas casas de família e repercute entre a vizinhança.

Horror! Uma verdadeira vergonha! Com ele pôde cometer um ato tão abjeto, jogar fora o seu ministério e envergonhar o povo de Deus dessa maneira?

Logo ele, que sempre foi um exemplo para os  mais jovens, caiu de modo deplorável. Um silêncio fúnebre restou, após o flagrante delito no qual ele foi pego. Não temos coragem para nos olhar nos olhos, pois a decepção nos pesa sobre os ombros e faz com que fitemos o chão.

Como agora ele irá reconstruir a sua vida, sua vida perante Deus? O que sua esposa irá fazer, será que ela conseguirá perdoá-lo por tamanha hipocrisia, posando de crente enquanto praticava… não consigo nem dizer.  Sabe aquele lance de #VergonhaAlheiaFeelings? Pois é.

Sei que ele poderá se reerguer, que o Senhor poderá restaurá-lo, pois grande é a Sua Graça e Misericórdia.  Mas não se sabe quanto tempo levará até que possa novamente estar de pé entre os santos. Não depois do que ele fez.  Não depois de deixar-se inflamar pelo inferno desta maneira, e ter contaminado todo o corpo.

Tá bem, vou te dizer o que ele fez, mas por favor, não me faça repetir, pois não sei se terei coragem de falar de novo.

Ele foi pego em flagrante ato de FOFOCAR.

“Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo.
Porque todos tropeçamos em muitas coisas.

Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo.
Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo.
Vede também as naus que, sendo tão grandes, e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa.

Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas.

Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia.

A língua também é um fogo; como mundo de iniqüidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno”. 

Tiago 3:1-6

P.S.:  Resolvi colocar esta explicação posterior devido a diversidade de leitores do meu blog. Penso que se não o fizer, tem gente que não entender o que estou querendo dizer com este post.

1 – Este post é ficção, não tente ficar imaginando se estou falando da vida de alguém, pois não estou.

2 – Dentro da igreja, existe uma expressão que comumente é associada a pecados de ordem sexual: “fulano caiu”. Normalmente essa afirmação é seguida da pergunta: “Caiu com quem?”. Infelizmente, por este hábito acaba se considerando pecados apenas os de ordem sexual, e desconsideramos as orientações bíblicas sobre nossa conduta moral em um âmbito mais amplo. E mais infelizmente ainda, percebo que a sociedade como um todo tem perdido os referencias morais.

Este post é sobre isso. Sem valor moral alicerçado, nossa vida espiritual é vazia, superficial, falsa e hipócrita.  Pense nisso.

 

 

Poder Microfoniano – Série Inovações Inovadoras

Descobri que existem microfones que são fogo puro, mistério de giová, e retetétianos. Esses microfones tem em si a capacidade mística de infundir poder pentecostal naquele que segura-o em suas mãos de vaso – o poder microfoniano. Só não percebi ainda qual o fabricante deste tesouro gospel.

Por um erro de observação, até então considerava-se que quem tava “no azeite” era o vaso ou a vasa em questão. Mas não, a unção é do microfone. Se você procurar na sua memória, tenho certeza que já se deparou com uma situação mais ou menos assim:

Cena 01

Local: Uma igreja neo pentecostal fictícia

Tempo: Culto bem “avivado” (segundo o conceito de avivamento da gospelândia)

Personagens: Cantor Convidado, Dirigente do Culto, irmã do louvor, platéia.

Começa o culto com uma oração já inflamada do dirigente. Após a oração, entra a irmã do louvor para cantar uns corinhos de fogo. Canela de fogo pra cá, sapateado pra lá, e a platéia vibra. Como se em uma disputa de torcidas organizadas, o que importa é o berro mais alto, para abafar o grito do vizinho. Mas agora é pra Gezuis.

O dirigente apresenta a grande estrela do culto. Não, não é Cristo, é o Cantor Convidado mesmo, que até então está calado e entendiado. Seu silêncio é sepulcral. Nem um “aleluiazinho” de canto de boca, nem um “gloriazinho” escapado de seu lábios ungidos.

Ao apresentá-lo, o Dirigente pede uma salva de palmas pra Gezuis, como desculpa para ovacionar o convidado. E, emocionado pela presença ilustre de um LEVITA, passa a oportunidade para o mesmo.

O Cantor Convidado  levanta-se, ainda em silêncio. Mas de repente, não mais que de repente, acontece um milagre. Ao pegar no microfone, uma onda “ispritual” passa pelo seu espinhaço, e subitamente dá uma rajada de língua estranha pro teto! É fogo, é canela, é “grória”!  O Cantor Convidado, canta, pula e “profeteia”.

– Quem não abrir a boca e dar um Glória é geladeira! Não tem unção de deus!

Depois de 45 minutos de “bença”, passa a vez para o Dirigente, que reservou os próximos 5 minutos para a meditação na Palavra de Deus, que é a parte mais importante do culto, segundo ele. E curiosamente não se ouve nem mais um “aleluiazinho” do vaso que até então, era puro mistério de giová.

Fim da Cena.

O que concluiremos? É OBVIO que a unção estava no microfone, e quando o vaso colocou a sua mão ungida no poder microfoniano do microfone ungido, a unção ungidora o ungiu um pouquinho mais.  Tá faltando unção? Já tens a solução! 😉

 

Conceitos e palavras

Normalmente desconsideramos o valor dos conceitos claros e a utilização correta das palavras. Por causa disso, nossas palavras perdem o sentido original, e são modificadas e entendidas de modo bem diferente da sua aplicação e sentido original.

Qual o problema disto? Perdemos cada vez mais a capacidade de entender o outro e as coisas.

Servindo-me de um exemplo do Tio Almir, os elementos são tão próximos uns dos outros, que se não conseguirmos delimitá-los eles se confundirão. Enquanto teclo este post, percebo que meu notebook repousa sobre a mesa. Imagine a confusão que seria não perceber a fronteira entre ambos, sua finalidade, suas aplicações. A despeito de estarem absolutamente próximos, o conceito sobre ambos impede que eles se confundam.

Talvez a cerca de objetos concretos seja simples perceber seus limites. Mas, o exemplo acima serve apenas para ilustrar uma realidade abstrata e subjetiva, que tem por característica ser muito mais tênue e fugidia.

Philip Yancey, escritor cristão, capta perfeitamente esta necessidade sobre as palavras e conceitos, e tenta resgatar o sentido da palavra Graça em seu excelente livro “Maravilhosa Graça”.  O excesso de uso indevido tirou o poder e significado de várias palavras, e  Graça é a última palavra que consegue reter, mesmo quando mal aplicada, o cheiro do sentido original, e do anúncio alarmante e inesperado da Graça de Deus operando a salvação.

Pecado é outra palavra que perdeu seu sentido original. Virou  nome de novela, de sex shop, de uma infinidade de produtos. Ser moreno é ter a “cor do pecado”(hãn?), segundo uma expressão popular. Faz parte do nosso cancioneiro, figurando como algo ligado ao prazer e satisfação de desejos.  Por isso é tão difícil nós nos arrependermos, pois de que iríamos de nos arrepender?  De algo em si prazeroso?

A lista de palavras e conceitos errados é enorme. Desde quando louvor virou sinônimo de música? Quando foi que avivamento virou sinônimo de “meninice”? E quando “meninice” foi suprimido do vocabulário pentecostal?

Curiosamente, é em plena era da comunicação que a importância da palavra foi reduzida, talvez pela banalização da cultura, fruto de novos erros conceituais, na medida em que substituímos cultura por informação, e o  conhecimento por verbetes do Wikipédia.

Essa importância pode ser demonstrada em um pequeno trecho do “A menina que roubava livros”, de Markus Zusak:

“Era uma vez um homenzinho estranho, que decidiu três detalhes importantes sobre a sua vida:

  1. Ele repartiria o cabelo do lado contrário ao de todas as outras pessoas.
  2. Criaria para si mesmo um bigode pequeno e esquisito.
  3. Um dia, iria dominar o mundo 

O homenzinho perambulou por muito tempo, pensando, fazendo planos e procurando descobrir exatamente como tornaria o mundo seu. E então, um dia, saído do nada, ocorreu-lhe o plano perfeito. Ele viu uma mãe passeando com o filho.  A horas tantas, ela repreendeu o garotinho, até que ele acabou começando a chorar. Em poucos minutos, ela lhe falou muito baixinho, e depois disso ele se acalmou e até sorriu.

O homenzinho correu até a mulher e a abraçou. ‘Palavras!’ e sorriu. ‘O quê?’ Mas não houve resposta. Ele já se fora. 

Sim, o Führer decidiu que dominaria o mundo com palavras.”(…) 

Infelizmente, foi torcendo as palavras e bombardeando-as de modo incessante que o evangelho tem sido aviltado. E nos ecos da repetição incessante, seguindo a máxima de Goebbels*, impedindo que possamos enxergar os conceitos como ele verdadeiramente são.

Por conta disso, muitos acreditam na idiotizante e forjada “Lei da Semeadura”, com a reinventada tipologia bíblica, onde  agora semente não é mais tipo da Palavra de Deus, nem do Reino de Deus, e sim do dinheiro.

Queridos, só o que posso pedir é que vocês busquem o significado real das palavras. Entendam cada conceito, aquilo que realmente ela é e diz.  Cada palavra será uma descoberta de um mundo de significados, e em cada significado um mundo de ideias e possibilidades. E em meio a este novo universo descortinado pelas palavras, poderemos, com fé e amor, enxergar um pouquinho Dele, porque a lama dos conceitos errados saiu dos nossos olhos, e porque Ele quis se revelar pela Sua Palavra .

* Joseph Goebbles foi ministro de Comunicação de Hitler, responsável pelo intensidade da propaganda nazista. Atribui-se a ele a frase “uma mentira cem vezes dita, torna-se verdade”.

 

Voz da Verdade ou Voz da Heresia?

Lembro-me de que logo que aceitei a Cristo, li numa determinada revista evangélica uma matéria sobre uma heresia da banda gospel Voz da Verdade. Na época, não prestei atenção nisso, por não conhecer nem a banda e nem o que seria ser Unicista (me deem um desconto, pois como já disse, era recém convertido rsrsrs).

Passaram-se os anos, e como nunca mais tinha ouvido falar nesse assunto, imaginei que, sei lá, ou houve uma falha no que eu havia entendido, ou eles tinham reformulado suas posições doutrinárias.

Hoje vemos o Pr. Marco Feliciano lançando um CD com regravações deste grupo. Mesmo não tendo o Pr. Feliciano como um exemplo  de ortodoxia, de sã doutrina, inocentemente imaginei que ele teria algum critério, e que ao divulgar este álbum, ele só afirmaria que é a “maior banda gospel de todos os tempos”  com algum conhecimento de causa.

Então, navegando pela blogsfera cristã, me deparo com um excelente post do Pr. Renato Vargens, criticando o dito grupo e mistério. Fiquei com as zureia em pé.

Não satisfeito, fui fuçar mais. E agora transcrevo trechos com os links para que os irmãos possam ver a fonte da pesquisa – o site oficial da banda e ministério Voz da Verdade:

Manifestações de Deus e não de pessoas distintas

“Essa doutrina de que existem 3 Pessoas distintas é tão contraditória, que quem tenta explicá-la, acaba se confundindo e diminuindo o poder de Deus.
É comum confundirem ” pessoa” com manifestações, dizendo ser três pessoas distintas e ao mesmo tempo ser um Deus, e que ao mesmo tempo não são distintas, mas iguais . Ufa, é difícil mesmo entender o pensamento humano.O inimigo quer destruir o pensamento das pessoas, que sabem muito bem quem é Deus e o que Ele fez para salvar o homem .”

“Ou ele é UM ou não é. Se são 3 pessoas distintas com personalidades não podem ser UMA”

No estudo “Um único Deus “, vemos as afirmações a seguir.

 

“EXISTE UM SÓ DEUS QUE SE MANIFESTOU COMO FILHO ,para remissão dos nossos pecados e hoje está atuando em nossas vidas como ESPÍRITO SANTO.
” JESUS É DEUS” ,se Ele é Deus,e sabemos que Ele é ,analisem tudo que eu escrevi com amor e reflexão.A Bíblia fala :UM SÓ DEUS…
É ESTE DEUS QUE O GRUPO VOZ DA VERDADE ANUNCIA.

EXISTE UM SÓ DEUS QUE SE MANIFESTOU COMO FILHO ,para remissão dos nossos pecados e hoje está atuando em nossas vidas como ESPÍRITO SANTO.” JESUS É DEUS” ,se Ele é Deus,e sabemos que Ele é ,analisem tudo que eu escrevi com amor e reflexão.A Bíblia fala :UM SÓ DEUS…É ESTE DEUS QUE O GRUPO VOZ DA VERDADE ANUNCIA.”

Como podemos perceber, trata-se de uma negação total e completa da doutrina da Trindade. E é esta negação da Trindade eles abertamente anunciam.

Vale a consideração antecipada: Será que isto é tão sério? Será que , tipo assim, não podíamos deixar isso quietinho debaixo do tapete? Qual a importância disso para a vida cristã?

Respondo: É muito sério, não dá pra deixar de lado e e de importância fundamental para a vida cristã.

Toda a revelação de Deus é a base para a salvação e conhecimento de quem o Senhor é. Se você adora a um Deus, mesmo que você chame-o de Deus Pai, ou Jesus, caso ele não seja para você como ele realmente é, você está cometendo idolatria. O invés de adorar o Deus Verdadeiro, você está adorando a um deus que só existe na sua cabeça, e por conseguinte, sendo idolatra.

Sem contar que TODO o evangelho se resume a isso –  conhecer a Deus. E ao conhecê-lo, você será atraído pelo amor profundo Dele, e passará eternidades de eternidades com Ele. O conhecendo cada vez mais.

Portanto, vê se que é um assunto de suma importância. Trata-se, literalmente, de um assunto de vida ou morte.

Você pode estar sendo levado a adorar deuses estranhos sem que você sequer note.

Quanto a Trindade, mesmo sabendo que trata-se de um assunto que está acima da nossa capacidade de compreensão, é abundantemente provado pelas Escrituras.

Resumidamente, a doutrina da Trindade está alicerçada em dois pilares:

a) Deus Pai é Deus, Jesus é Deus, Espírito Santo é Deus. As três pessoas da trindade são distintas, com personalidade própria.  Não se trata de uma pessoa com funções ou manifestações diferentes.

b) Só exite um Deus.  Não são três deuses.

Talvez nós não consigamos juntar estes dois pilares com facilidade. Isso é apenas mais uma prova da sua veracidade, pois recebemos de Deus por revelação algo que é acima da nossa capacidade de entendimento, e absolutamente sem comparação com nada, um vez que não existe nada que se assemelhe ao Senhor.

Mas, pense comigo um instante:

SE, como os unicistas afirmam, não houvesse diferentes pessoas na deidade, como justificar as orações de Jesus? Uma pessoa que fala consigo mesmo com se fora outra pessoa, estaria perigosamente próximo a esquizofrenia.

Não seria loucura afirmações como “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre”.

Seria como se, por exemplo eu falasse assim: “Eu (Alcir) pedirei ao Alcir, e ele mandará o Alcir para ir comprar pão”. Fica absolutamente sem sentido.

Logo, fica demonstrado que são três pessoas distintas na Trindade.

SE, por outro lado, fossem três deuses separados, ao invés de UM só Deus, como conciliar com Cristo Jesus afirmando “Eu e o Pai somos UM” ?

Não adianta querer diminuir a Verdade para que ela caiba na nossa cabecinha. É tentar colocar Deus numa caixinha de fósforo.

Lamento profundamente o posicionamento teológico da “Voz da Verdade”.  Defendendo e proclamando o unicismo estão se posicionando como “Voz da Heresia”.

Na Paz.


Percepções

Meus sentidos foram se abrindo. Gradualmente, sem alarido, sem esperar. Como descrever o som ao surdo? Sentindo a vibração causada por cada nota. Sentido que cada nota encontra o eco no interior do ser. A certeza do certo confirmada pela alma – escavação arqueológica do espírito.

Pulsa, bate, ecoa, ressoa.

Milagre da união de notas avulsas, metamorfoseando-se em melodia. Existe música, sons em poesia. A Voz guia os passos de quem ainda não vê. A Voz firme, cálida que pronuncia seu nome, irresistível. Estranhamente familiar, mesmo a quem nunca a ouviu antes. A Voz geradora de vida, que faz o coração bombear, que abre os nossos pulmões no primeiro dia, e o fechará no último. A percepção do infinitamente belo.

Cheiros me confundem, apontando para sabores não descortinados pelo palato. Cheiros que vão marcar a trajetória, depois serão “start” da memória. Gostos. Dias de mel, outros de ervas amargas. Gosto do amargo realça o doce.

Ainda na câmara escura. Tato. Eu sinto, logo?…
Tocar o outro, saber que a vida também está ali.
Tocar o outro, quebrar as fronteiras entre o eu e o tu.
Ser tocado, como é bom chorar acompanhado!
Tu me entendes? Sabes que existe alguém além de ti? Quero quebrar esta fronteira maldita que deixa a todos entrincheirados dentro de si.
Eu sinto, logo?… Sinto muito por sentir tanto. Sinto muito por sentirmos tão pouco.

O mundo cresce na medida em que as percepções se expandem. Posso viver sempre no quartinho escuro, fechado em mim. Ou posso abrir a porta. Mito da Caverna de dentro de nós. Tudo é mais. É maior.

Tenho que sair do quarto e ver a rua. Outros andam as tontas como eu. Outros tontos se escondem em baixo da cama. Tenho que sair. Ruas, bairros, cidades. Tenho que sair. Já não basta a rua, preciso da Lua.

Vejo vultos. Imagens imprecisas, turvas como os meus olhos. Tudo está lá, eu que não vejo. TV preta e branca, antena meio torta. Por que não ajeito? De que jeito, se não me percebo?
O mundo não é preto e branco, nem em duas dimensões. O mundo não é uma tela de pintor daltônico.

Ver.
Luz que clareia o dia.
Quero ver.
Forte como o meio dia.
Encandeado, ofuscado no primeiro instante.
Maravilhado pela aurora.

Ver.
Tudo fica claro.
Não em si, mas nele.
Não posso ver o sol, mas vejo tudo por ele.
Como pude ser tão cego!
Tão voluntariamente cego.

Ver.
Delicado como o luar
Refletindo uma outra glória,
Mais distante.
O belo, o puro, o digno.
Luar.

Ver.
Triste como o ocaso.
A morte e esperança do novo dia.
Amado como o ocaso.
Promessas do que a noite trará.

Palheta das infinitas cores
Obra de arte nunca concluída
Vida.
Cada segundo revelando novos tons
Aquarela.
Cada instante vivido, puro impressionismo.
Impressionando-nos pela beleza sem igual.

Vida Bela, aquarela.
Somos co-pintores dela.

TTTRRRIIIIIMMMMM!!!!!! O despertador toca. Acorda, vai escovar os dentes. Acorda. Abra seus olhos. O dia já começou.

(Re-postagem de um texto escrito em 2008, sobre meu processo de conversão)

Por onde anda a Poesia?

Sou um dos caras mais desatualizados da música gospel. Realmente, não curto muito as músicas que ouço nas rádios evangélicas.

Basicamente, tem três motivos:

1) Não concordo com a visão de Reino impregnada em várias delas. Nesse sentido, irmãos como o Pr. Ciro, que tem vários posts sobre esse assunto, e o Yago Martins, que fala com muita propriedade em um vídeo que vc pode ver na página “vídeos” deste blog (meio óbvio, né?). Sugiro inclusive que deem uma olhada também no Cante as Escrituras.

Quem sabe um dia resolvo me aprofundar no assunto e escrever sobre alguns desses “hinos”?

2) São muito repetitivos. Os caras conseguem fazer uma música com 7 minutos de duração e 3 frases! Haja paciência. Se eu gostasse de mantra eu era Hare Krisna, hindu, ou algo do gênero.

3) São feios mesmo. Pobres poeticamente, de harmonia, de melodia, de tudo. São ruins, então simplesmente não gosto.

Talvez você discorde de mim, e até fique com raiva. Não fique. É só a minha opinião, não quero que você se sinta constrangido(a) a concordar comigo.

Mas, na boa, quando ouço algumas músicas evangélicas mais antigas (e nem precisa ser tão antigas), e comparo com algumas de hoje, eu me pergunto: Por onde anda a poesia?

Palavras brincam conosco
Danças, folguedos e passeios
Troca de entendimento, o oposto
Do dito e desdito no solfejo.

Por onde anda a poesia?
Onde estará a sua trilha?
Nas canções ouvidas não a encontro.
Talvez apenas triste rima.

Queria louvá-lo eternamente.
Queria cânticos que subissem lentamente.
Sem a aridez jornalesca do muito dito,
Nem o mantra hipnótico repetido.

Por onde anda a poesia?
Onde estará a sua trilha?
Nas canções ouvidas não a encontro.
Talvez apenas triste rima.

Doce melodia que encanta,
Cantando minha alma se levanta.
Prazer brotado dos sentidos
Voltados para o Teu amor infindo.

Por onde anda a poesia?
Onde estará a sua trilha?
Nas canções ouvidas não a encontro.
Talvez apenas triste rima.

Trôpego poeta da escrita.
Pena de escritor com pouca tinta.
Não dos meu lábios surgiria
Os versos que minh’alma louvaria.

Por isso peço a ela
À só ela, amada poesia
Volte aos louvores ao Senhor
Sofro desde sua partida.


 

Bônus: Uma poesia de Sergio Lopes.  Ouça, vale o clic.