Velho Almir

Velho Almir

Um homem velho envolto em fumaça
Antigo como o carvalho que verga sob o peso das lembranças
Passarinho, enquanto passarão os outros pelo dia
Pequeno e grande índio de nariz pontudo.

Irmão do tempo, quebra e distorce suas dimensões
Viveu mais que seus dias
Remarcando o tempo pelo relógio do seu pulso
Cadenciando as estrelas pelo compasso do seu mundo

Um grande homem de um metro e meio
Gigantesco, antecipa os caminhos com um olhar arguto
Raposa, índio, passarinho
Reflexo dos olhos por traz do arbusto

Mago, druida, encantado
Lenda amazônica, mito
Verdade profunda do fundo das águas
Barrento, negro, puro
Igarapé nas veias, nuvens no teto

Um pequeno gigante apaga o cigarro
Noite sempre companheira
Ao lado a escultura de baganas
Pigarreia, tosse, geme e sorri
As costas doem, comprimidas para caber no mundo
A fumaça dissipa – ele vê.

6 thoughts on “Velho Almir

  1. Guajarina,

    É impressionante como pessoas que não tem a menor ideia dos assuntos tratados gostam de falar bobagem, com ar de quem sabe o que está dizendo…

    Isso parece coisa daquelas velhas que ficam na porta de casa só pra falar mal das vizinhas, imputando a elas (as vizinhas) todas as neuroses e complexos que lhe atormentam internamente.

    "Freud explica", diz um adágio popular.

    Até.

  2. Pingback: Conceitos e palavras | Quase Eu

  3. Parabéns vc conhecia.ele profundamente…eu vivi uma grande parte ao lado dele nos finais de semana eram constantes , um homem de muiita ispirirualidade e.muiita força mental…
    Sei que terá um bom uglugar af

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *