Caminhante da Vida

Um caminhante parte em direção ao nada. Não lembra o porque, nem como começou. Quando deu-se conta, caminhava, com seu pés movendo-se como que por vontade própria.

Assim ia, impulsionado pelo seu impulso de seguir sem rumo.

Passo a passo retorna também a lembrança. Nublada, ainda. Teria algum sentido o seu andar? Uma saudade comprime-lhe o peito, saudades do que ainda não é. Impacienta-se, chuta as pedras do caminho, pelo simples prazer de derramar a raiva e pelo mero prazer de arrebentar o próprio dedão.  Agora é sangue, poeira, pedra e dentes trancados.  Pra onde? Por que não pára? O que, afinal, ele está fazendo? Agora é vazio, impotência, calçada e sangue.  Resolve se distrair no caminho, tentativa de esconder a frustração   e enganar-se  um pouquinho, só mais um pouquinho.

Um caminhante queria uma calçada pra sentar na beira do caminho.  Abaixa-se, segura o chão, mas não consegue impedir-se de ser arrastado pelo caminho.  O caminho agora é quem caminha nele.  Agora é pedra, asfalto, cimento sugando-o num turbilhão de choro, dor, lamento e sangue.  Ele é chão, os dedos em carne viva e não tem onde ser segurar.

Pra onde vais, caminhante da vida? Par onde vais? Até quando o caminho te atropelará?

Um caminhante é erguido pelo vento.  O Sopro sussurra aquilo que ele não lembrava mais, a saudade do que não é vem acompanhada da certeza que será.

Assim ia, impulsionado pelo vento que conduz ao rumo.

Passo a passo retorna também a alegria. O caminho pode ser muito bonito, se sabe-se pra onde ele segue.

 

 

Ode à Ponte que Partiu

Nas vias embarroadas
abarrotam-se empoeiradas
pontes de várias marcas
como a fronte de Caim, marcadas.

Na confusão dos sentidos trocados
o que era unir tornou-se ilhado.
Material assim desperdiçado
ferro e concreto para panela de barro.

Enganam-se, portanto, as pontes.
Não há rocha fundo do rio.
Por que firmar sobre afundado, e não nos montes?
Como partir o pão sobre tanto desvario?

Ser corpo ficou no esquecimento
sepultado pelo das pontes cimento.
Ser um só povo será ignorado
No das pontes ferro armado.
Senhor Jesus relegado a visagem
Na das pontes ilusória paisagem.

Não sejas ponte, sejas ovelhas
Não sejas esponja, sejas fonte.
Não sejas grupo, sejas povo.
Não sejas panela, sejas vaso.

E com fervor a oração eu faço:
Que o sentido de Evangelho fortaleça laços
entre todos com o sangue lavados.
E a ponte, velha e enferrujada ponte,
que vá pra ponte que partiu e se desmonte.

 

O Maior Escândalo de Todos os Tempos

Um escândalo percorre os corredores da congregação, passa pelas casas de família e repercute entre a vizinhança.

Horror! Uma verdadeira vergonha! Com ele pôde cometer um ato tão abjeto, jogar fora o seu ministério e envergonhar o povo de Deus dessa maneira?

Logo ele, que sempre foi um exemplo para os  mais jovens, caiu de modo deplorável. Um silêncio fúnebre restou, após o flagrante delito no qual ele foi pego. Não temos coragem para nos olhar nos olhos, pois a decepção nos pesa sobre os ombros e faz com que fitemos o chão.

Como agora ele irá reconstruir a sua vida, sua vida perante Deus? O que sua esposa irá fazer, será que ela conseguirá perdoá-lo por tamanha hipocrisia, posando de crente enquanto praticava… não consigo nem dizer.  Sabe aquele lance de #VergonhaAlheiaFeelings? Pois é.

Sei que ele poderá se reerguer, que o Senhor poderá restaurá-lo, pois grande é a Sua Graça e Misericórdia.  Mas não se sabe quanto tempo levará até que possa novamente estar de pé entre os santos. Não depois do que ele fez.  Não depois de deixar-se inflamar pelo inferno desta maneira, e ter contaminado todo o corpo.

Tá bem, vou te dizer o que ele fez, mas por favor, não me faça repetir, pois não sei se terei coragem de falar de novo.

Ele foi pego em flagrante ato de FOFOCAR.

“Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo.
Porque todos tropeçamos em muitas coisas.

Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo.
Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo.
Vede também as naus que, sendo tão grandes, e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa.

Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas.

Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia.

A língua também é um fogo; como mundo de iniqüidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno”. 

Tiago 3:1-6

P.S.:  Resolvi colocar esta explicação posterior devido a diversidade de leitores do meu blog. Penso que se não o fizer, tem gente que não entender o que estou querendo dizer com este post.

1 – Este post é ficção, não tente ficar imaginando se estou falando da vida de alguém, pois não estou.

2 – Dentro da igreja, existe uma expressão que comumente é associada a pecados de ordem sexual: “fulano caiu”. Normalmente essa afirmação é seguida da pergunta: “Caiu com quem?”. Infelizmente, por este hábito acaba se considerando pecados apenas os de ordem sexual, e desconsideramos as orientações bíblicas sobre nossa conduta moral em um âmbito mais amplo. E mais infelizmente ainda, percebo que a sociedade como um todo tem perdido os referencias morais.

Este post é sobre isso. Sem valor moral alicerçado, nossa vida espiritual é vazia, superficial, falsa e hipócrita.  Pense nisso.

 

 

Poder Microfoniano – Série Inovações Inovadoras

Descobri que existem microfones que são fogo puro, mistério de giová, e retetétianos. Esses microfones tem em si a capacidade mística de infundir poder pentecostal naquele que segura-o em suas mãos de vaso – o poder microfoniano. Só não percebi ainda qual o fabricante deste tesouro gospel.

Por um erro de observação, até então considerava-se que quem tava “no azeite” era o vaso ou a vasa em questão. Mas não, a unção é do microfone. Se você procurar na sua memória, tenho certeza que já se deparou com uma situação mais ou menos assim:

Cena 01

Local: Uma igreja neo pentecostal fictícia

Tempo: Culto bem “avivado” (segundo o conceito de avivamento da gospelândia)

Personagens: Cantor Convidado, Dirigente do Culto, irmã do louvor, platéia.

Começa o culto com uma oração já inflamada do dirigente. Após a oração, entra a irmã do louvor para cantar uns corinhos de fogo. Canela de fogo pra cá, sapateado pra lá, e a platéia vibra. Como se em uma disputa de torcidas organizadas, o que importa é o berro mais alto, para abafar o grito do vizinho. Mas agora é pra Gezuis.

O dirigente apresenta a grande estrela do culto. Não, não é Cristo, é o Cantor Convidado mesmo, que até então está calado e entendiado. Seu silêncio é sepulcral. Nem um “aleluiazinho” de canto de boca, nem um “gloriazinho” escapado de seu lábios ungidos.

Ao apresentá-lo, o Dirigente pede uma salva de palmas pra Gezuis, como desculpa para ovacionar o convidado. E, emocionado pela presença ilustre de um LEVITA, passa a oportunidade para o mesmo.

O Cantor Convidado  levanta-se, ainda em silêncio. Mas de repente, não mais que de repente, acontece um milagre. Ao pegar no microfone, uma onda “ispritual” passa pelo seu espinhaço, e subitamente dá uma rajada de língua estranha pro teto! É fogo, é canela, é “grória”!  O Cantor Convidado, canta, pula e “profeteia”.

– Quem não abrir a boca e dar um Glória é geladeira! Não tem unção de deus!

Depois de 45 minutos de “bença”, passa a vez para o Dirigente, que reservou os próximos 5 minutos para a meditação na Palavra de Deus, que é a parte mais importante do culto, segundo ele. E curiosamente não se ouve nem mais um “aleluiazinho” do vaso que até então, era puro mistério de giová.

Fim da Cena.

O que concluiremos? É OBVIO que a unção estava no microfone, e quando o vaso colocou a sua mão ungida no poder microfoniano do microfone ungido, a unção ungidora o ungiu um pouquinho mais.  Tá faltando unção? Já tens a solução! 😉

 

Conceitos e palavras

Normalmente desconsideramos o valor dos conceitos claros e a utilização correta das palavras. Por causa disso, nossas palavras perdem o sentido original, e são modificadas e entendidas de modo bem diferente da sua aplicação e sentido original.

Qual o problema disto? Perdemos cada vez mais a capacidade de entender o outro e as coisas.

Servindo-me de um exemplo do Tio Almir, os elementos são tão próximos uns dos outros, que se não conseguirmos delimitá-los eles se confundirão. Enquanto teclo este post, percebo que meu notebook repousa sobre a mesa. Imagine a confusão que seria não perceber a fronteira entre ambos, sua finalidade, suas aplicações. A despeito de estarem absolutamente próximos, o conceito sobre ambos impede que eles se confundam.

Talvez a cerca de objetos concretos seja simples perceber seus limites. Mas, o exemplo acima serve apenas para ilustrar uma realidade abstrata e subjetiva, que tem por característica ser muito mais tênue e fugidia.

Philip Yancey, escritor cristão, capta perfeitamente esta necessidade sobre as palavras e conceitos, e tenta resgatar o sentido da palavra Graça em seu excelente livro “Maravilhosa Graça”.  O excesso de uso indevido tirou o poder e significado de várias palavras, e  Graça é a última palavra que consegue reter, mesmo quando mal aplicada, o cheiro do sentido original, e do anúncio alarmante e inesperado da Graça de Deus operando a salvação.

Pecado é outra palavra que perdeu seu sentido original. Virou  nome de novela, de sex shop, de uma infinidade de produtos. Ser moreno é ter a “cor do pecado”(hãn?), segundo uma expressão popular. Faz parte do nosso cancioneiro, figurando como algo ligado ao prazer e satisfação de desejos.  Por isso é tão difícil nós nos arrependermos, pois de que iríamos de nos arrepender?  De algo em si prazeroso?

A lista de palavras e conceitos errados é enorme. Desde quando louvor virou sinônimo de música? Quando foi que avivamento virou sinônimo de “meninice”? E quando “meninice” foi suprimido do vocabulário pentecostal?

Curiosamente, é em plena era da comunicação que a importância da palavra foi reduzida, talvez pela banalização da cultura, fruto de novos erros conceituais, na medida em que substituímos cultura por informação, e o  conhecimento por verbetes do Wikipédia.

Essa importância pode ser demonstrada em um pequeno trecho do “A menina que roubava livros”, de Markus Zusak:

“Era uma vez um homenzinho estranho, que decidiu três detalhes importantes sobre a sua vida:

  1. Ele repartiria o cabelo do lado contrário ao de todas as outras pessoas.
  2. Criaria para si mesmo um bigode pequeno e esquisito.
  3. Um dia, iria dominar o mundo 

O homenzinho perambulou por muito tempo, pensando, fazendo planos e procurando descobrir exatamente como tornaria o mundo seu. E então, um dia, saído do nada, ocorreu-lhe o plano perfeito. Ele viu uma mãe passeando com o filho.  A horas tantas, ela repreendeu o garotinho, até que ele acabou começando a chorar. Em poucos minutos, ela lhe falou muito baixinho, e depois disso ele se acalmou e até sorriu.

O homenzinho correu até a mulher e a abraçou. ‘Palavras!’ e sorriu. ‘O quê?’ Mas não houve resposta. Ele já se fora. 

Sim, o Führer decidiu que dominaria o mundo com palavras.”(…) 

Infelizmente, foi torcendo as palavras e bombardeando-as de modo incessante que o evangelho tem sido aviltado. E nos ecos da repetição incessante, seguindo a máxima de Goebbels*, impedindo que possamos enxergar os conceitos como ele verdadeiramente são.

Por conta disso, muitos acreditam na idiotizante e forjada “Lei da Semeadura”, com a reinventada tipologia bíblica, onde  agora semente não é mais tipo da Palavra de Deus, nem do Reino de Deus, e sim do dinheiro.

Queridos, só o que posso pedir é que vocês busquem o significado real das palavras. Entendam cada conceito, aquilo que realmente ela é e diz.  Cada palavra será uma descoberta de um mundo de significados, e em cada significado um mundo de ideias e possibilidades. E em meio a este novo universo descortinado pelas palavras, poderemos, com fé e amor, enxergar um pouquinho Dele, porque a lama dos conceitos errados saiu dos nossos olhos, e porque Ele quis se revelar pela Sua Palavra .

* Joseph Goebbles foi ministro de Comunicação de Hitler, responsável pelo intensidade da propaganda nazista. Atribui-se a ele a frase “uma mentira cem vezes dita, torna-se verdade”.

 

Voz da Verdade ou Voz da Heresia?

Lembro-me de que logo que aceitei a Cristo, li numa determinada revista evangélica uma matéria sobre uma heresia da banda gospel Voz da Verdade. Na época, não prestei atenção nisso, por não conhecer nem a banda e nem o que seria ser Unicista (me deem um desconto, pois como já disse, era recém convertido rsrsrs).

Passaram-se os anos, e como nunca mais tinha ouvido falar nesse assunto, imaginei que, sei lá, ou houve uma falha no que eu havia entendido, ou eles tinham reformulado suas posições doutrinárias.

Hoje vemos o Pr. Marco Feliciano lançando um CD com regravações deste grupo. Mesmo não tendo o Pr. Feliciano como um exemplo  de ortodoxia, de sã doutrina, inocentemente imaginei que ele teria algum critério, e que ao divulgar este álbum, ele só afirmaria que é a “maior banda gospel de todos os tempos”  com algum conhecimento de causa.

Então, navegando pela blogsfera cristã, me deparo com um excelente post do Pr. Renato Vargens, criticando o dito grupo e mistério. Fiquei com as zureia em pé.

Não satisfeito, fui fuçar mais. E agora transcrevo trechos com os links para que os irmãos possam ver a fonte da pesquisa – o site oficial da banda e ministério Voz da Verdade:

Manifestações de Deus e não de pessoas distintas

“Essa doutrina de que existem 3 Pessoas distintas é tão contraditória, que quem tenta explicá-la, acaba se confundindo e diminuindo o poder de Deus.
É comum confundirem ” pessoa” com manifestações, dizendo ser três pessoas distintas e ao mesmo tempo ser um Deus, e que ao mesmo tempo não são distintas, mas iguais . Ufa, é difícil mesmo entender o pensamento humano.O inimigo quer destruir o pensamento das pessoas, que sabem muito bem quem é Deus e o que Ele fez para salvar o homem .”

“Ou ele é UM ou não é. Se são 3 pessoas distintas com personalidades não podem ser UMA”

No estudo “Um único Deus “, vemos as afirmações a seguir.

 

“EXISTE UM SÓ DEUS QUE SE MANIFESTOU COMO FILHO ,para remissão dos nossos pecados e hoje está atuando em nossas vidas como ESPÍRITO SANTO.
” JESUS É DEUS” ,se Ele é Deus,e sabemos que Ele é ,analisem tudo que eu escrevi com amor e reflexão.A Bíblia fala :UM SÓ DEUS…
É ESTE DEUS QUE O GRUPO VOZ DA VERDADE ANUNCIA.

EXISTE UM SÓ DEUS QUE SE MANIFESTOU COMO FILHO ,para remissão dos nossos pecados e hoje está atuando em nossas vidas como ESPÍRITO SANTO.” JESUS É DEUS” ,se Ele é Deus,e sabemos que Ele é ,analisem tudo que eu escrevi com amor e reflexão.A Bíblia fala :UM SÓ DEUS…É ESTE DEUS QUE O GRUPO VOZ DA VERDADE ANUNCIA.”

Como podemos perceber, trata-se de uma negação total e completa da doutrina da Trindade. E é esta negação da Trindade eles abertamente anunciam.

Vale a consideração antecipada: Será que isto é tão sério? Será que , tipo assim, não podíamos deixar isso quietinho debaixo do tapete? Qual a importância disso para a vida cristã?

Respondo: É muito sério, não dá pra deixar de lado e e de importância fundamental para a vida cristã.

Toda a revelação de Deus é a base para a salvação e conhecimento de quem o Senhor é. Se você adora a um Deus, mesmo que você chame-o de Deus Pai, ou Jesus, caso ele não seja para você como ele realmente é, você está cometendo idolatria. O invés de adorar o Deus Verdadeiro, você está adorando a um deus que só existe na sua cabeça, e por conseguinte, sendo idolatra.

Sem contar que TODO o evangelho se resume a isso –  conhecer a Deus. E ao conhecê-lo, você será atraído pelo amor profundo Dele, e passará eternidades de eternidades com Ele. O conhecendo cada vez mais.

Portanto, vê se que é um assunto de suma importância. Trata-se, literalmente, de um assunto de vida ou morte.

Você pode estar sendo levado a adorar deuses estranhos sem que você sequer note.

Quanto a Trindade, mesmo sabendo que trata-se de um assunto que está acima da nossa capacidade de compreensão, é abundantemente provado pelas Escrituras.

Resumidamente, a doutrina da Trindade está alicerçada em dois pilares:

a) Deus Pai é Deus, Jesus é Deus, Espírito Santo é Deus. As três pessoas da trindade são distintas, com personalidade própria.  Não se trata de uma pessoa com funções ou manifestações diferentes.

b) Só exite um Deus.  Não são três deuses.

Talvez nós não consigamos juntar estes dois pilares com facilidade. Isso é apenas mais uma prova da sua veracidade, pois recebemos de Deus por revelação algo que é acima da nossa capacidade de entendimento, e absolutamente sem comparação com nada, um vez que não existe nada que se assemelhe ao Senhor.

Mas, pense comigo um instante:

SE, como os unicistas afirmam, não houvesse diferentes pessoas na deidade, como justificar as orações de Jesus? Uma pessoa que fala consigo mesmo com se fora outra pessoa, estaria perigosamente próximo a esquizofrenia.

Não seria loucura afirmações como “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre”.

Seria como se, por exemplo eu falasse assim: “Eu (Alcir) pedirei ao Alcir, e ele mandará o Alcir para ir comprar pão”. Fica absolutamente sem sentido.

Logo, fica demonstrado que são três pessoas distintas na Trindade.

SE, por outro lado, fossem três deuses separados, ao invés de UM só Deus, como conciliar com Cristo Jesus afirmando “Eu e o Pai somos UM” ?

Não adianta querer diminuir a Verdade para que ela caiba na nossa cabecinha. É tentar colocar Deus numa caixinha de fósforo.

Lamento profundamente o posicionamento teológico da “Voz da Verdade”.  Defendendo e proclamando o unicismo estão se posicionando como “Voz da Heresia”.

Na Paz.


Percepções

Meus sentidos foram se abrindo. Gradualmente, sem alarido, sem esperar. Como descrever o som ao surdo? Sentindo a vibração causada por cada nota. Sentido que cada nota encontra o eco no interior do ser. A certeza do certo confirmada pela alma – escavação arqueológica do espírito.

Pulsa, bate, ecoa, ressoa.

Milagre da união de notas avulsas, metamorfoseando-se em melodia. Existe música, sons em poesia. A Voz guia os passos de quem ainda não vê. A Voz firme, cálida que pronuncia seu nome, irresistível. Estranhamente familiar, mesmo a quem nunca a ouviu antes. A Voz geradora de vida, que faz o coração bombear, que abre os nossos pulmões no primeiro dia, e o fechará no último. A percepção do infinitamente belo.

Cheiros me confundem, apontando para sabores não descortinados pelo palato. Cheiros que vão marcar a trajetória, depois serão “start” da memória. Gostos. Dias de mel, outros de ervas amargas. Gosto do amargo realça o doce.

Ainda na câmara escura. Tato. Eu sinto, logo?…
Tocar o outro, saber que a vida também está ali.
Tocar o outro, quebrar as fronteiras entre o eu e o tu.
Ser tocado, como é bom chorar acompanhado!
Tu me entendes? Sabes que existe alguém além de ti? Quero quebrar esta fronteira maldita que deixa a todos entrincheirados dentro de si.
Eu sinto, logo?… Sinto muito por sentir tanto. Sinto muito por sentirmos tão pouco.

O mundo cresce na medida em que as percepções se expandem. Posso viver sempre no quartinho escuro, fechado em mim. Ou posso abrir a porta. Mito da Caverna de dentro de nós. Tudo é mais. É maior.

Tenho que sair do quarto e ver a rua. Outros andam as tontas como eu. Outros tontos se escondem em baixo da cama. Tenho que sair. Ruas, bairros, cidades. Tenho que sair. Já não basta a rua, preciso da Lua.

Vejo vultos. Imagens imprecisas, turvas como os meus olhos. Tudo está lá, eu que não vejo. TV preta e branca, antena meio torta. Por que não ajeito? De que jeito, se não me percebo?
O mundo não é preto e branco, nem em duas dimensões. O mundo não é uma tela de pintor daltônico.

Ver.
Luz que clareia o dia.
Quero ver.
Forte como o meio dia.
Encandeado, ofuscado no primeiro instante.
Maravilhado pela aurora.

Ver.
Tudo fica claro.
Não em si, mas nele.
Não posso ver o sol, mas vejo tudo por ele.
Como pude ser tão cego!
Tão voluntariamente cego.

Ver.
Delicado como o luar
Refletindo uma outra glória,
Mais distante.
O belo, o puro, o digno.
Luar.

Ver.
Triste como o ocaso.
A morte e esperança do novo dia.
Amado como o ocaso.
Promessas do que a noite trará.

Palheta das infinitas cores
Obra de arte nunca concluída
Vida.
Cada segundo revelando novos tons
Aquarela.
Cada instante vivido, puro impressionismo.
Impressionando-nos pela beleza sem igual.

Vida Bela, aquarela.
Somos co-pintores dela.

TTTRRRIIIIIMMMMM!!!!!! O despertador toca. Acorda, vai escovar os dentes. Acorda. Abra seus olhos. O dia já começou.

(Re-postagem de um texto escrito em 2008, sobre meu processo de conversão)

Por onde anda a Poesia?

Sou um dos caras mais desatualizados da música gospel. Realmente, não curto muito as músicas que ouço nas rádios evangélicas.

Basicamente, tem três motivos:

1) Não concordo com a visão de Reino impregnada em várias delas. Nesse sentido, irmãos como o Pr. Ciro, que tem vários posts sobre esse assunto, e o Yago Martins, que fala com muita propriedade em um vídeo que vc pode ver na página “vídeos” deste blog (meio óbvio, né?). Sugiro inclusive que deem uma olhada também no Cante as Escrituras.

Quem sabe um dia resolvo me aprofundar no assunto e escrever sobre alguns desses “hinos”?

2) São muito repetitivos. Os caras conseguem fazer uma música com 7 minutos de duração e 3 frases! Haja paciência. Se eu gostasse de mantra eu era Hare Krisna, hindu, ou algo do gênero.

3) São feios mesmo. Pobres poeticamente, de harmonia, de melodia, de tudo. São ruins, então simplesmente não gosto.

Talvez você discorde de mim, e até fique com raiva. Não fique. É só a minha opinião, não quero que você se sinta constrangido(a) a concordar comigo.

Mas, na boa, quando ouço algumas músicas evangélicas mais antigas (e nem precisa ser tão antigas), e comparo com algumas de hoje, eu me pergunto: Por onde anda a poesia?

Palavras brincam conosco
Danças, folguedos e passeios
Troca de entendimento, o oposto
Do dito e desdito no solfejo.

Por onde anda a poesia?
Onde estará a sua trilha?
Nas canções ouvidas não a encontro.
Talvez apenas triste rima.

Queria louvá-lo eternamente.
Queria cânticos que subissem lentamente.
Sem a aridez jornalesca do muito dito,
Nem o mantra hipnótico repetido.

Por onde anda a poesia?
Onde estará a sua trilha?
Nas canções ouvidas não a encontro.
Talvez apenas triste rima.

Doce melodia que encanta,
Cantando minha alma se levanta.
Prazer brotado dos sentidos
Voltados para o Teu amor infindo.

Por onde anda a poesia?
Onde estará a sua trilha?
Nas canções ouvidas não a encontro.
Talvez apenas triste rima.

Trôpego poeta da escrita.
Pena de escritor com pouca tinta.
Não dos meu lábios surgiria
Os versos que minh’alma louvaria.

Por isso peço a ela
À só ela, amada poesia
Volte aos louvores ao Senhor
Sofro desde sua partida.


 

Bônus: Uma poesia de Sergio Lopes.  Ouça, vale o clic.

Lembranças

Vou remontando um quebra cabeça.  Na medida em que junto as peças, vou-las publicando aqui.

Mas o compromisso não é, necessariamente, com a exatidão histórica. É com as sensações. Conto a vida como num sonho, a narrativa dispersa, entre rima pobre e prosa “paia”.

É catarse, cortes, rupturas, gritos.

É o lúdico pouco lúcido remanescente da infância.

É a resposta automática aos cabelos brancos, que surgem rápido e se insurgem contra os que permanecem pretos,expulsando-os da minha cabeça.

É a idade, Horácio*, é a idade.

*Referência ao personagem da peça Hamlet, de Shakespeare.