Série Inovações Inovadoras – Cavalo de Fogo

Continuando a minha modesta contribuição para o desenvolvimento ungido e retetético do retété, iniciada de modo brilhante com o lançamento da Unção do Buchim, está chegando ao mercado gospel tupiniquim a Nova Unção Ungida e Ungidora.

Chega de ficar apenas no sapato de fogo, canela de fogo, cabelo de fogo, anjo com vassoura de fogo (já ouvi cabra orando pedindo pra um anjo com a dita vassoura dar uma limpeza no ambiente espiritual).  Isso é coisa do passado.

O lance do momento é o Cavalo de Fogo. hihiiiihHIHIHhIHihIHHIHIHihihih (cavalo de fogo relinchando).

Por isso, olhe pro seu irmão e diga:

hihiiiihHIHIHhIHihIHHIHIHihihih!

Amém ou não amém?

O que será dos “mini-pastores”?

Recentemente li uma matéria em um canal de notícias evangélicas sobre um jornalista paulistano de 33 anos, que lançou um livro, no qual ele defende o ateísmo. Até aí, nenhuma novidade.  O que me chamou a atenção é o fato dele ter sido um “menino-pastor”, simulacro de pregador, desde muito cedo.

O que levaria um menino crente a fazer o caminho longo até o ateísmo militante?

Confesso que fiquei triste. Ainda hoje vemos inúmeros casos de “crianças-pastoras”, no Brasil e em outros países. Não pretendo citar nome das crianças, mesmo com uma vontade enorme de incluir vídeos com elas. Não o farei por respeito a elas, por saber que as crianças não têm responsabilidade sobre o papel que estão sendo levadas a desempenhar. Mas não pretendo poupar críticas aos responsáveis – sejam pais, pastores, ou quem forem.

Na verdade, penso que o risco que corremos não é de levantar uma nova geração de pregadores e cantores(como afirma o chefe dos gideoszinhos), e sim de construir uma geração de pessoas sem temor a Deus, profundidade teológica, cínicos, impermeabilizados ao Santo Espírito.  Isso sendo otimista. O caso que cito acima é um exemplo de para onde o modelo evangélico retetético está empurrando a igreja.

Deixe-me tentar explicar como percebo que isso funciona, suas causas e possíveis conseqüências.

01 – Banalização da Pregação da Palavra de Deus:

Eu me pergunto o que esse povo entende por pregação da Palavra de Deus???  Como uma criança pode ensinar através da exposição das Escrituras algo que está muito além da sua condição natural de criança? Não atentam para a admoestação de Cristo, nos ensinando que se um cego guiar outro, ambos cairão na cova?

Na realidade, a única coisa que vi nessas pregações mirins foi a mera repetição de frases de efeito gospel, desprovidas de real significado. Se eu ensinar versículos a um papagaio, isso não fará dele um pregador do evangelho. Se eu ensinar uma criança imitar um adulto, isso não fará dele um adulto. Uma criança imitar um obreiro não fará dela nem um obreiro, que dirá um obreiro aprovado. Leiam I Timóteo 3, e vejam o padrão que Deus estabelece para os trabalhadores da Seara.

S eu pregar algo que não vivencio, algo que não desceu do Céu através da oração, estudo e ação do Santo Espírito, eu sou um hipócrita. Se eu falar apenas aquilo que decorei mas não tem fundamento na minha alma, serei um falso, um mentiroso. Estaria interpretando um papel.

Você realmente acha que estas crianças SABEM alguma coisa sobre o que estão falando? E se você ensinar para as crianças de Deus que o ministério se resume a fingir ser algo que ela não é, o quão cínica ela poderá se tornar quando crescer?

Uma coisa é certa: se você faz isso com as crianças amadas de Jesus, melhor seria que você amarrasse uma pedra de moinho no próprio pescoço e se jogasse no mar. (Mt 18.6)

02 – Banalização do o Poder do Espírito Santo

O padrão de pregadores que normalmente essas crianças imitam é o “padrão reteté”. Pessoalmente não gosto nem da palavra. Reteté é via de regra, uma ação exagerada, despropositada, cheio de apelos ao emocionalismo vazio e à carnalidade humana. Não consigo sentir o jeito, poder, beleza do Santo Espírito. Mais um teatrinho gospel.  Por mais que admita que o Vento sopra onde quer, não vi ainda O Vento agindo desta forma.

Tem pessoas que acham que sou pouco pentecostal por me posicionar contra o reteté. È justamente o contrário. Por ser profundamente pentecostal, por crer e amar a ação livre e soberana de Deus, por sentir a presença do Consolador enquanto escrevo este post, é que não posso aceitar que qualquer fogo estranho seja posto no altar de Deus. Eu amo o verdadeiro pentecostes, por isso repudio aqueles que fazem do meu amor um circo dos horrores.

O ponto é que ao incorporar os trejeitos dos cabras do reteté as pregações infantis, com todo o alarido e sem nenhuma ação verdadeiramente Espiritual, ensina-se aos pequenos que o mover do Espírito é só isso. Mas o agir de Deus é muito, muito, muito mais que isso. Gritar “Receba” não é o suficiente. Profetizar sem ser profeta não é suficiente. Jogar paletó, girar, pular, sapatear, nada disso é suficiente. Só a Graça é suficiente para nós. Ela nos basta.

03 – Destruição da infância

Por fim, tem um aspecto não teológico, mas prático. Crianças devem ser tão somente crianças. A beleza da infância está nela própria. Ao querer se forjar pequenos adultos “na marra”, cria-se algo estranho a constituição psicológica deles.  Um ser híbrido, nem criança nem adulto, e como todo ser híbrido, estéril. Será uma criança infeliz e um adulto sem a preparação fundamental de ter passado por uma infância sadia.

Paulo diz que quando era menino falava como menino e agia como menino. Este é o padrão correto. Não estaria escrevendo um post tão longo se isso fosse respeitado. Adoraria ver uma criança falando de Jesus com a singeleza inerente à infância. Com a inocência de que apenas conta algo sobre o seu amigo. Que conhece o amor do Pai. Simples assim.

Isso glorificaria a Deus. Quando adulto, no tempo certo, do modo certo, poderia vir a ser um homem usado por Deus, pois seria um homem, e teria deixado as coisas de menino.

Igreja “amigável”

Passei lá no blog da Vera,  o Estrangeira no Mundo, e me deparei com este post importantíssimo, que reproduzo aqui literalmente:

“Estou lendo “Com Vergonha do Evangelho: quando a igreja se torna como o mundo”, de John MacArthur. É um livro altamente recomendável, do qual ouso replicar um trecho, a seguir:

‘A igreja contemporânea está passando por uma revolução sem precedentes, desde a Reforma Protestante, em seus estilos de adoração. O ministério das igrejas casou-se com a filosofia de marketing, e o “filhote monstruoso” dessa união é um diligente esforço para mudar a maneira como o mundo enxerga a igreja. O ministério da igreja está sendo completamente renovado, na tentativa de torná-lo mais atraente aos incrédulos.

Os especialistas nos dizem que pastores e líderes de igrejas que desejam ser mais bem-sucedidos precisam concentrar suas energias nesta nova direção Forneça aos não-cristãos um ambiente inofensivo e agradável. Conceda-lhes liberdade, tolerância e anonimato. Seja sempre positivo e benevolente. Se for necessário pregar um sermão, torne-o breve e recreativo. Não pregue longa e enfaticamente. E, acima de tudo, que todos sejam entretidos. As igrejas que seguirem estas regras experimentarão crescimento numérico, eles nos afirmam; e as que as ignorarem estão fadadas à estagnação. […]

A questão é que se pretende tornar a igreja “user-friendly”, ou seja, “amigável”. Esse termo vem da indústria informática e foi primeiramente aplicado para descrever um software ou um hardware que é de fácil operação para o iniciante em computação. Aplicado à igreja, costuma descrever um tipo de ministério que é benigno e extremamente não-desafiador. Na prática, torna-se uma desculpa para se importar os entretenimentos mundanos para dentro da igreja, na tentativa de atrair os não-frequentadores de igreja que estão “à procura de algo”, através de um apelo aos interesses carnais. O resultado óbvio dessa preocupação com os que não são da igreja é uma correspondente falta de cuidado para com aqueles que são a verdadeira igreja. As necessidades espirituais dos crentes geralmente são negligenciadas, e isso prejudica a igreja.

(…) Apresento a seguir algumas citações daqueles recortes, que descrevem a pregação em uma “igreja amigável”:

“Aqui não há fogo nem enxofre. Nada de pressionar as pessoas com a Bíblia. Apenas mensagens práticas e divertidas.”

“Os cultos em nossa igreja trazem consigo um ar de informalidade. Você não verá os ouvintes sendo ameaçados com o inferno ou sendo considerados como pecadores. O objetivo é fazer com que se sintam bem-vindos, não de afastá-los.”

“Como acontece com todos os pastores, a resposta é Deus – mas ele O menciona apenas no final e o faz sem muita seriedade. Nada de discursos; nada de altos brados. Nem fogo, nem enxofre. Ele nem usa a palavra que começa com a letra ‘i’. Nós chamamos isso de evangelho light. É a mesma salvação oferecida pela velha e boa religião, antiga mas com um terço a menos de culpa.”

“Aqui os sermãos são relevantes, otimistas e, o melhor de tudo, curtos. Você não ouvirá muita pregação a respeito do pecado, da condenação e do fogo do inferno. A pregação aqui nem se parece com pregação. É uma conversação sofisticada, polida e amigável. Quebra todos os padrões estereotipados.”

“O pastor está pregando mensagens bastante atuais… mensagens de salvação, mas a idéia não é tanto de salvação do fogo do inferno. Pelo contrário, é salvação da falta de significado e de propósito nesta vida. É uma mensagem mais soft, de mais fácil aceitação.” […]

Portanto, as novas regras são: seja esperto, informal, positivo, sucinto e amigável. […] E jamais, jamais, use a palavra “inferno”.

[…] Mas, de fato, a verdade das Escrituras está sendo omprometida, ao ser descentralizada e quando, para forjar uma amizade com o mundo, verdades duras são evitadas, diversões insípidas tomam o lugar da sã doutrina e uma verdadeira ginástica semântica é utilizada a fim de evitar a menção das verdades severas das Escrituras Sagradas. Se o objetivo é fazer sentir-se bem aquele que está à procura de algo, porventura isso não é incompatível com o ensinamento bíblico acerca do pecado, do juízo, do inferno e de vários outros assuntos importantes? Assim, por intermédio dessa filosofia a mensagem bíblica é irremediavelmente distorcida. E o que dizer sobre o crente que precisa ser alimentado?

[…] No âmago da filosofia da “igreja amigável”, movida a marketing, está o objetivo de oferecer às pessoas o que elas desejam. Os que advogam essa postura são bastante honestos quanto a isso. […]

Avaliar com exatidão as necessidades das pessoas é, portanto, considerada uma das chaves para o crescimento no movimento moderno de crescimento de igrejas. Ensina-se aos líderes da igreja a pesquisarem os “consumidores” em potencial, para se descobrir o que estes procuram em uma igreja (nota da estrangeira: no Brasil, busca-se principalmente prosperidade financeira e cura de doenças) – e então oferecem exatamente isso. […]

Pastores não são mais instruídos a declarar às pessoas o que Deus requer delas. Em lugar disso, são aconselhados a descobrir quais são as exigências das pessoas e fazer o que for necessário para satisfazer essas necessidades. O público é reputado como soberano, e um pregador sábio “haverá de moldar sua comunicação de acordo com as necessidades do povo, de forma a obter a resposta desejada”. […] Isso significa que a estratégia humana, e não a Palavra de Deus, torna-se a fonte de toda a atividade eclesiástica e o padrão pelo qual o ministério é avaliado.

[…] As Escrituras dizem que os primeiros cristãos viraram o mundo de cabeça para baixo (At 17.6). Em nossa geração, o mundo está virando a igreja de cabeça para baixo. Biblicamente falando, Deus é soberano, não o incrédulo que não frequenta a igreja. A Bíblia, e não o plano de marketing, deve ser o único guia e a autoridade final para todo o ministério eclesiástico. Em vez de acalentar o egoísmo das pessoas, o ministério da igreja deveria atender às verdadeiras necessidades delas. O Senhor da igreja é Cristo e não um “Zé da poltrona” com um controle remoto nas mãos.

Não consigo ouvir a expressão “igreja amigável” sem que isso me traga à mente a passagem de Atos 5 e a história de Ananias e Safira. O que se passou naquela ocasião desafia abertamente quase toda a teoria contemporânea de crescimento da igreja. A igreja de Jerusalém não era nem um pouco “amigável”. Aliás, era exatamente o oposto. Lucas nos informa que esse episódio inspirou “grande temor a toda a igreja e a todos os que ouviram a notícia destes acontecimentos” (At 5.11). O culto daquele dia foi tão perturbador, que nenhum dos que não frequentavam a igreja ousou juntar-se a eles. O só pensar em frequentar aquela igreja aterrorizava o coração daquelas pessoas, apesar de os terem em alto conceito (At 5.13). A igreja, sem dúvida alguma, não era um lugar para os pecadores sentirem-se à vontade, era um lugar que causava medo!’.”

MacARTHUR, John. Com vergonha do evangelho: quando a igreja se torna como o mundo. São José dos Campos, SP: Ed. Fiel, 2009, p. 43-53.

Série Inovações Inovadoras – Unção do Buchim

seu-barriga-chaves

Resolvi, ao invés de só ficar criticando, propor algo novo. Nada é mais improdutivo que não produzir nada(?!).

O problema é que o mercado gospel brasileiro anda saturado, são tantas inovações que, na verdade mesmo, inovar é ser ortodoxo. Mas não dá IBOPE.

Então, me valendo dos meus parcos conhecimentos de marketing, através de um rápido levantamento do mercadológico e retétético, percebi que a tendência da hora é o crescimento ungido das diversas unções. Falou em unção, a galera vibra. Imagine a cena:

Local: Uma igreja fictícia

Tempo: Culto de domingo

Elenco: pastor, um obreiro, músicos, platéia. Nem Jesus, nem o E.S. participam da cena.

Ato 1:

O culto começa confuso. Conversa paralelas, músicos “afinando” a guitarra, a bateria, e todos outros instrumentos juntos, e “desafinando” a paciência dos irmãos.

Um obreiro começa a cantar um hino, enquanto os músicos tocam outro.

Os louvores seguem mecanicamente, a platéia dispersa, mas preocupada com a vida alheia do que com a adoração. O culto se arrasta liturgicamente semelhante a um enterro.

Subitamente entra o pastor (ele estava atrasado). sobe ao púlpito, pega o microfone e diz:

– Hoje deus vai dar uma nova unção aqui!

Ao ouvir a palavra mágica, unção, a galera vibra, sapateia, rola no chão.

– Olha a unção do Happy Feet! RECEBAAAAA!

E a platéia “só no sapatinho, ôô, só no sapatinho, ôÔ”.

– Olha a unção da Hiena! RECEBAAAAA!!!

E a galera começa a rir descontroladamente, mesmo tendo comido… deixa prá lá.

– Olha a unção da Cinderela! RECEBAAA!!!

E o pessoal cai no chão com os olhos fechados. Deviam ter levado ao menos um travesseirinho, mas isso é detalhe.

Depois de um tempo interminável, o culto acaba. O povo sai com a alma vazia, mas com o ego inchado.

Fim do Ato 1.

Massa, né? Depois de identificado o nosso nicho de mercado, falta agora o “revelamento” do detalhes da nova unção. Tem que ser algo marcante, novo, de peso… de peso? Claro, por que não?

Está lançada agora, através da rede mundial, a mais nova, ousada, maravilhosa e ungida unção moderna: A UNÇÃO DO BUCHIM! Tcharam!

Observação importante: Buchim é a expressão popularmente utilizada no Nordeste para buchinho, ou seja, barriguinha. O “inho” é um eufemismo para disfarçar a verdadeira circunferência da afirmação.

Vou explicar como ela funciona: pesquisadores identificaram que grandes homens de Deus eram gordinhos (eufemismo, de novo). Por exemplo, D.L. Moody, Spurgeon, Daniel Berg, Seymour, G.K. Chesterton, eu (não se esqueçam que eu sou CONFERENCISTA INTERNACIONAL). Alguns teólogos afirmam que ele levaram a sério a palavra de Ezequiel sobre os ossos secos, e os deles ficaram BEM cobertos.

Outros adotam a visão de que sendo o corpo o templo o Espírito, o mesmo merece uma acomodação mais ampla.

A práxis é simples: receba o oração da fé, beba 02 litros de refrigerante ungido e coma 7 coxinhas da unção todo dia, durante toda a campanha das “70 semanas no Poder do Bucho”, e verás um mover diferente em ti. Vai ser tanta glória que não poderás nem fechar o paletó.

Escrevi este post com a intenção de denunciar certos modismos.Queria encerrar ele com um vídeo: Manifestações ABSURDAS – David Wilkerson. Este homem de Deus partiu para o Senhor recentemente, em 27 de Abril. Mas deixou-nos um legado, de uma carreira cristã digna.

Profetizas???

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Sei que tem gente que deve estar me achado muito chato, pois atualmente só escrevo críticas sobre bobagens heréticas e modismos espúrios que vemos nas igrejas. Peço um pouco de paciência, pois vou novamente abordar este tema. É que tenho passado muito tempo no arraial, e com o foco voltado para as coisas de Deus. Naturalmente, acabo vivenciando mais coisas neste âmbito.

A modinha gospel que me irritou mais recentemente é a seguinte (o exemplo, apesar de fictício, é absolutamente verdadeiro):

Durante a ministração da palavra, um pregador olha para a congregação e diz: “Coloque a mão sobre a cabeça do irmão ao seu lado e profetize esta benção para ele”.

Numa situação desta, eu não consigo colocar a minha mão na cabeça de ninguém. Mas não é por implicância minha. O problema é mais simples – eu não posso profetizar, uma vez que (pelo menos ainda) não sou profeta. Logo, tenho este dificuldade técnica, não posso profetizar por não ser profeta, da mesma forma que não realizo operações por não ser cirurgião.

Percebo que falta clareza conceitual sobre os termos que estão sendo livremente utilizados. E sinceramente, não sei de onde tiraram essa ideia de que todo crente é profeta. Pensando bem, sei sim.

Esse modismo herético foi importado dos EUA, de um senhor chamado Kenneth Hagin, maior difusor do que ficou conhecido como “Confissão Positiva”. Basicamente, trata-se de uma apropriação de elementos de PNL (Programação Neuro Linguística), psicologia, auto ajuda. É a base “teológica” da Teologia da Prosperidade. Entre os influenciados por esta doutrina estão Morris Cerullo, Valnice Milhomens, Renê Terra Nova e André Valadão.

As heresias mais difundidas, e que lamento ver entrando em igrejas sérias, são percebidas através de de expressões cada dia mais comuns, como “maldição hereditária”, “atos proféticos”, “eu decreto”, “unção do riso”, “unção do leão”, e por aí vai.

O que nos interessa abordar neste post é o que comumente ouvimos por palavra profética. Dentro do que exemplo acima, não é, não é mesmo, profecia de acordo com as Escrituras.

No máximo chegam a expressão de desejos humanos acerca de algo ou alguém. Neste caso, o ideal seria ORAR, INTERCEDER.

Mas veja bem, uma definição simples de profecia é falar em nome de Deus. Eu não me atrevo a dizer que é Deus que está falando uma coisa que, na verdade, quem está dizendo sou eu, com a expressão da minha vontade. Isto é a banalização herética de um dom de Deus.

Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum,mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”. 2 Pedro 1:21

Nem todos somos ou seremos profetas.

“E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.

Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos doutores? são todos operadores de milagres?

Têm todos o dom de curar? falam todos diversas línguas? interpretam todos?

Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente.” I Co 12. 28-31.

E, para quem acha mais fácil só seguir a modinha, #FicaDica :

Porém o profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá.” Dt. 18.20

A Troca

fariseus

Troca.
Claro e escuro em tempos opostos,
formas opostas.
Velha história do boi e mosquito:
opção errada ao engoli-lo.

Troca.
Trocam a Verdade
pois basta-lhes o engodo.
Pobre do urubu, agora cor de rosa.

Seguem as pílulas douradas.
Tolos, fúteis e inconsequentes devaneios.
A heresia acompanha até a adoração,
ao Umbigo Rei, Narciso mestre.

Caminho errado!
Largo demais, fácil demais.
Beco sem saída.
As vezes, só se avança recuando.

Precisamos, urgentemente, voltar para o Evangelho conforme as Escrituras. Esse arremedo farisaico, sem poder e verdade, ofende a Deus e macula a Sua Glória.

Evangelho “Lua de Cristal”


Domingo a noite. Encaminho-me para o culto. Sempre que vou para igreja, gosto de colocar na rádio evangélica, na esperança que os louvores irão tornar o trânsito menos estressante, e que chegarei lá com um estado de ânimo mais propício a adoração que o meu habitual mau-humor após dirigir.

Fiquei ainda mais feliz por que na hora em que liguei o rádio estava sendo transmitido um culto ao vivo de determinada igreja, bem na hora da pregação. Massa! Mas, infelizmente, alegria de pobre dura pouco…

Tudo pode ser, se quiser será
O sonho sempre vem pra quem sonhar
Tudo pode ser, só basta acreditar
Tudo que tiver que ser, será”

O pastor está falando sobre fé para ter uma vida vitoriosa. Cita exemplos de pessoas que acreditaram em si, se esforçaram, e chegaram onde queriam. Minha cabeça começa a fervilhar com uma pergunta: “fé em quê? Em quem?”.

O que está sendo pregado afinal? A fé em Cristo, o evangelho, a Boa Nova de salvação, ou um bando de besteirol motivacional? Infelizmente, a segunda opção. Frases de efeito estão mais pra “Lua de Cristal” do que pra Evangelho do Reino. É uma pregação para agradar multidões, encher o templo, e que não tem a menor aplicação prática. A falta de poder deste evangelho é o simples fato de que ele não é real! Não é esta a promessa que o Senhor deixou para a Sua Igreja.

Não estou dizendo que é, em si, errado tentar motivar as pessoas. É errado fazer isso dizendo que é a Palavra de Deus. Com isso, gera-se uma geração de crentes enganados, em conflito com a fé quando perceberem que a vida cristã real não é como lhe havia sido apresentado.

O evangelho é contundente: quer um teste simples? I Co 2.14 diz :”Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” Se os desejos do homem natural são plenamente atendidos pelo evangelho que é pregado, o versículo acima fica sem sentido, pois a Palavra de Deus afirma que o homem natural não compreende o Evangelho, pois este lhe parece loucura.

Porém, qualquer homem natural há de achar insano a pregação que diz: renuncie a si mesmo, pegue a sua cruz e venha.

“Vamos com você
Nós somos invencíveis, pode crer
Todos somos um
E juntos não existe mal nenhum

Criou-se nos últimos anos a ideia de que crente com o Espírito de Deus não passa por sofrimentos. Eu queria saber de onde que tiraram esta conceituação. Afinal, o livro de Jó não trata justamente sobre isso? Jesus não avisou a Pedro que Satanás haveria de peneirá-lo como trigo ( Lc 22.31)? O dia mal irá vir, mais cedo ou mais tarde, daí a necessidade de estarmos preparados para resistí-lo (Ef. 6.13).

Lua de cristal
Que me faz sonhar
Faz de mim estrela
Que eu já sei brilhar”

Pra finalizar a mensagem o preletor conta uma historinha sobre o vagalume que brilhava e a cobra que tinha inveja do seu brilho, cita uma frase que leu em um carro (um aqueles adesivos gospel): “eu não morro de inveja, mas mato muito de inveja”. E além de citar uma frase como esta, ainda tem a falta de senso de pedir para o público presente que a repetisse para o irmão do lado.

Como pode uma cegueira tão absurda como esta??? Um sentimento profundamente anti-cristão está permeando toda a frase. Como assim, fazer algo com a intenção de matar alguém de inveja? Como assim, incentivar a vanglória humana, a nojenta e abjeta vaidade do homem, o orgulho a prepotência de quem se acha melhor que o outro baseado naquilo que ele tem? Que monte de esterco é esse que vendem como se fosse o Evangelho? Como assim?

Meu coração se parte de raiva e impotência por ver o evangelho rebaixado a este ponto. Isso não é Evangelho!!! Não foi por isso o sacrifício de Jesus!!!! Jesus morreu, sorveu cada gota do cálice da Ira de Deus para que o meu pecado não me aniquilasse, por misericórdia, por causa do amor por mim, mesmo eu sendo uma criatura repulsiva de pecado ante os Seus justos e santos olhos. ISSO é a Boa Nova de Jesus: você e eu merecemos o inferno, mas Ele nos livra por amor do Seu Nome. Ele é o único digno de adoração. ESTE é o Evangelho de Jesus.

Parem de macular a glória de Deus com desejos mesquinhos e baixos. Deus não é o cara lá de cima que vai te dar tudo o que você quiser. Ele é Deus e não você.

Aproveito para deixar um vídeo onde o Evangelho é pregado, sem subterfúgios.

Dicas úteis para ouvir a Palavra de Deus

Eu gosto de ouvir a pregação da Palavra de Deus, prazer que têm se tornado raro. Infelizmente, o que muitas vezes somos obrigados a engolir como se fosse da parte de Deus, é de uma falta de compreensão das Escrituras que causa pena, dó e asco.

Claro que existem homens de Deus que não estão muito preocupados com as modinhas evangélicas. E dou graças a Deus por eles existirem. Na verdade, a razão deste post é que tenho a felicidade de poder compartilhar um trecho de uma mensagem do Pr. John Piper, que não canso de ouvir (não sei quantas vezes já escutei-a).

Sei que é difícil para saber se àquilo que ouvimos tem boa procedência. Então, aproveito para dar uma dicas úteis de como se prevenir das bobagens teológicas, e dos cabras mal intencionados que querem tão somente explorar os incautos:

  1. Corra longe de quem começa a pregação com as animações típicas de auditório: “Olhe pro seu irmão e diga…”;
  2. Esqueça totalmente qualquer coisa que venha após as afirmações “Eu decreto”, “eu exijo”, e similares;
  3. Não receba a palavra de quem grita “RECEEEBBBAAAA”;
  4. Desconsidere as mensagem em que ouvimos mais sobre Satanás do que sobre Jesus, sua Graça, sua morte e ressurreição redentoras;
  5. Se o pregador for guarda de trânsito celestial, e começar “Põe um anjo aqui, outro acolá”, pode ficar desconfiado que lá vem bobagem altamente herética;
  6. Como disse o Pr. Ciro Zibordi “contentemo-nos com o Jesus bíblico
  7. Conte com o Espírito de Deus – Ele vai te mostrar o que não procede do Pai.

E que Deus nos dê uma mentalidade tal a qual esteve em Cristo. Fiquem com Deus.