Série Inovações Inovadoras – Unção do Buchim

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Resolvi, ao invés de só ficar criticando, propor algo novo. Nada é mais improdutivo que não produzir nada(?!).

O problema é que o mercado gospel brasileiro anda saturado, são tantas inovações que, na verdade mesmo, inovar é ser ortodoxo. Mas não dá IBOPE.

Então, me valendo dos meus parcos conhecimentos de marketing, através de um rápido levantamento do mercadológico e retétético, percebi que a tendência da hora é o crescimento ungido das diversas unções. Falou em unção, a galera vibra. Imagine a cena:

Local: Uma igreja fictícia

Tempo: Culto de domingo

Elenco: pastor, um obreiro, músicos, platéia. Nem Jesus, nem o E.S. participam da cena.

Ato 1:

O culto começa confuso. Conversa paralelas, músicos “afinando” a guitarra, a bateria, e todos outros instrumentos juntos, e “desafinando” a paciência dos irmãos.

Um obreiro começa a cantar um hino, enquanto os músicos tocam outro.

Os louvores seguem mecanicamente, a platéia dispersa, mas preocupada com a vida alheia do que com a adoração. O culto se arrasta liturgicamente semelhante a um enterro.

Subitamente entra o pastor (ele estava atrasado). sobe ao púlpito, pega o microfone e diz:

– Hoje deus vai dar uma nova unção aqui!

Ao ouvir a palavra mágica, unção, a galera vibra, sapateia, rola no chão.

– Olha a unção do Happy Feet! RECEBAAAAA!

E a platéia “só no sapatinho, ôô, só no sapatinho, ôÔ”.

– Olha a unção da Hiena! RECEBAAAAA!!!

E a galera começa a rir descontroladamente, mesmo tendo comido… deixa prá lá.

– Olha a unção da Cinderela! RECEBAAA!!!

E o pessoal cai no chão com os olhos fechados. Deviam ter levado ao menos um travesseirinho, mas isso é detalhe.

Depois de um tempo interminável, o culto acaba. O povo sai com a alma vazia, mas com o ego inchado.

Fim do Ato 1.

Massa, né? Depois de identificado o nosso nicho de mercado, falta agora o “revelamento” do detalhes da nova unção. Tem que ser algo marcante, novo, de peso… de peso? Claro, por que não?

Está lançada agora, através da rede mundial, a mais nova, ousada, maravilhosa e ungida unção moderna: A UNÇÃO DO BUCHIM! Tcharam!

Observação importante: Buchim é a expressão popularmente utilizada no Nordeste para buchinho, ou seja, barriguinha. O “inho” é um eufemismo para disfarçar a verdadeira circunferência da afirmação.

Vou explicar como ela funciona: pesquisadores identificaram que grandes homens de Deus eram gordinhos (eufemismo, de novo). Por exemplo, D.L. Moody, Spurgeon, Daniel Berg, Seymour, G.K. Chesterton, eu (não se esqueçam que eu sou CONFERENCISTA INTERNACIONAL). Alguns teólogos afirmam que ele levaram a sério a palavra de Ezequiel sobre os ossos secos, e os deles ficaram BEM cobertos.

Outros adotam a visão de que sendo o corpo o templo o Espírito, o mesmo merece uma acomodação mais ampla.

A práxis é simples: receba o oração da fé, beba 02 litros de refrigerante ungido e coma 7 coxinhas da unção todo dia, durante toda a campanha das “70 semanas no Poder do Bucho”, e verás um mover diferente em ti. Vai ser tanta glória que não poderás nem fechar o paletó.

Escrevi este post com a intenção de denunciar certos modismos.Queria encerrar ele com um vídeo: Manifestações ABSURDAS – David Wilkerson. Este homem de Deus partiu para o Senhor recentemente, em 27 de Abril. Mas deixou-nos um legado, de uma carreira cristã digna.

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