Orei


Orei. naquele instante permiti que meu espírito se abrisse novamente. As dúvidas, que sempre carrego, levei-as comigo. Minha fé destituída de dogmas, de verdades absolutas, resume-se em confiar numa pessoa – Cristo.

Portanto, ajoelharam-se ao meu lado o medo, a angústia, a incerteza. A percepção de quanto sou pecador me deixa tímido. Não sei o que dizer ao meu Senhor. Calo-me. Descanso na Sua presença.

Há muito tempo rejeitei a eloquência das orações pré-formuladas. Não tem sentido para mim a tentativa de convencer a quem me conhece tão profundamente. Deus não é platéia de um auditório lotado. Recolho-me, fecho a porta do quarto.

Na escuridão do quarto fechado, no silêncio que precede a tempestade, deságuo minha alma como palavras. Uma a uma elas saem de mim, gaguejadas, trôpegas como eu mesmo.

O Meu lamento ecoa pelo cosmo, chega até Ele. Não, chega antes de ecoar, devido sua proximidade. Sei que estará comigo, sempre. O seu Espírito habita no casebre simples, de barro prensado. Habita em mim.

Meus joelhos doem, mas fui aliviado da sobrecarga. Levanto. Ponho o pé (que continua com espinho) de volta no caminho. E continuo caminhando.

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