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Acho que pela primeira vez me sinto tranquilo. Talvez você não saiba como é difícil para mim chegar aqui, respirar fundo e sentir apenas paz.

Talvez seja a tal maturidade. Talvez seja mero resultado de uma vida harmonizada, onde as peças começam a estar bem encaixadas e funcionando bem. Trabalho, ministério, família, amor, atividade física. Tempo pra cuidar do corpo, da mente, e do espírito.

Mas, mais provavelmente eu esteja aprendendo a viver na base do orare et labutare, e aplicando-o a minha vida, não somente a minha hermenêutica. Calvino está certo.

Os calos das mãos somam-se a compreensão que tudo vem Dele, e que “todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. Que Cristo cuida de nós e dos nossos, por causa do profundo amor que ele é.

Aos 33 estou bem, obrigado.

E a maior conquista que tive foi abrandar meu coração. Fica mais confortável para os que moram nele.

Ode à Ponte que Partiu

Nas vias embarroadas
abarrotam-se empoeiradas
pontes de várias marcas
como a fronte de Caim, marcadas.

Na confusão dos sentidos trocados
o que era unir tornou-se ilhado.
Material assim desperdiçado
ferro e concreto para panela de barro.

Enganam-se, portanto, as pontes.
Não há rocha fundo do rio.
Por que firmar sobre afundado, e não nos montes?
Como partir o pão sobre tanto desvario?

Ser corpo ficou no esquecimento
sepultado pelo das pontes cimento.
Ser um só povo será ignorado
No das pontes ferro armado.
Senhor Jesus relegado a visagem
Na das pontes ilusória paisagem.

Não sejas ponte, sejas ovelhas
Não sejas esponja, sejas fonte.
Não sejas grupo, sejas povo.
Não sejas panela, sejas vaso.

E com fervor a oração eu faço:
Que o sentido de Evangelho fortaleça laços
entre todos com o sangue lavados.
E a ponte, velha e enferrujada ponte,
que vá pra ponte que partiu e se desmonte.