Liberdade

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Voe, minha alma,
voe livre.
Pois já não tenho amarras.
Troquei-as por novas asas
quando o perdão me alcançou.

Voe, minha mente,
voe aberta.
Tirei o cabresto e o freio
religioso, estreito,
quando a Graça me bastou.

Falem livres, sejam livres.
Minha voz e minha pena,
minha mente e meu poema
Não parem na barreira
Não se contenham pela contenda
de quem nunca O encontrou.

“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” – João 8:36

Por onde anda a Poesia?

Sou um dos caras mais desatualizados da música gospel. Realmente, não curto muito as músicas que ouço nas rádios evangélicas.

Basicamente, tem três motivos:

1) Não concordo com a visão de Reino impregnada em várias delas. Nesse sentido, irmãos como o Pr. Ciro, que tem vários posts sobre esse assunto, e o Yago Martins, que fala com muita propriedade em um vídeo que vc pode ver na página “vídeos” deste blog (meio óbvio, né?). Sugiro inclusive que deem uma olhada também no Cante as Escrituras.

Quem sabe um dia resolvo me aprofundar no assunto e escrever sobre alguns desses “hinos”?

2) São muito repetitivos. Os caras conseguem fazer uma música com 7 minutos de duração e 3 frases! Haja paciência. Se eu gostasse de mantra eu era Hare Krisna, hindu, ou algo do gênero.

3) São feios mesmo. Pobres poeticamente, de harmonia, de melodia, de tudo. São ruins, então simplesmente não gosto.

Talvez você discorde de mim, e até fique com raiva. Não fique. É só a minha opinião, não quero que você se sinta constrangido(a) a concordar comigo.

Mas, na boa, quando ouço algumas músicas evangélicas mais antigas (e nem precisa ser tão antigas), e comparo com algumas de hoje, eu me pergunto: Por onde anda a poesia?

Palavras brincam conosco
Danças, folguedos e passeios
Troca de entendimento, o oposto
Do dito e desdito no solfejo.

Por onde anda a poesia?
Onde estará a sua trilha?
Nas canções ouvidas não a encontro.
Talvez apenas triste rima.

Queria louvá-lo eternamente.
Queria cânticos que subissem lentamente.
Sem a aridez jornalesca do muito dito,
Nem o mantra hipnótico repetido.

Por onde anda a poesia?
Onde estará a sua trilha?
Nas canções ouvidas não a encontro.
Talvez apenas triste rima.

Doce melodia que encanta,
Cantando minha alma se levanta.
Prazer brotado dos sentidos
Voltados para o Teu amor infindo.

Por onde anda a poesia?
Onde estará a sua trilha?
Nas canções ouvidas não a encontro.
Talvez apenas triste rima.

Trôpego poeta da escrita.
Pena de escritor com pouca tinta.
Não dos meu lábios surgiria
Os versos que minh’alma louvaria.

Por isso peço a ela
À só ela, amada poesia
Volte aos louvores ao Senhor
Sofro desde sua partida.


 

Bônus: Uma poesia de Sergio Lopes.  Ouça, vale o clic.

Simples

Foto By Alcir Filho
Simples.
Na simplicidade Tu te revelas.
Direto, inegável, inconfundível Senhor.
Surges por trás das flores.
Num olhar carinhoso,
Na pureza do afeto.
no abraço.
De onde viria a beleza, senão de Ti?
Como eu poderia viver sem Tua vida?
Ponho meus pés na areia
contemplo o mar.
Espelho frágil do Criador.
Seu Espírito é brisa, Sua voz é muitas águas.
Simples.
Tu te afastas das pomposidades
Rejeitas o pré-formulado.
Ainda assim, fabricamos espetáculos
Mesquinhos aos teus olhos.
Para ti, basta o espírito e a verdade.
Ensina-me Senhor, o teu singelo caminho.
Quebranta a minha alma,
permita-me oferecer-te a mim.
Não tenho nada além disso.
De fato, nem tenho isso.

Pouco mais que nada

Não tenho vocação para super homem. E ando cansado de velhos chavões, de uma visão distorcida sobre o Cristianismo. Por isso queria dividir com outros a maneira como o vejo. Sei que é só a visão de uma pessoa, que talvez esteja longe de acertar. Mas não tenho pretensões quanto a isso. Apenas cansei da máscara.

Cristo se revela a mim quando leio os evangelhos, mato-me fariseu, e reconheço-me publicano. Tive que lutar arduamente contra a minha tendência de seguir o legalismo religioso que infestava o cenário da vinda de Jesus, e persiste até hoje. Tive que reconhecer que não podemos nos levantar sozinhos. Paralíticos na beira do tanque de Betesda, ou descendo pelo telhado da casa em que Cristo está, somos totalmente dependentes da Graça de Deus.

Cristo se revela a mim quando toca no leproso, e sinto que este toque limpa a minha pele, a minha auto-comiseração, me limpa daqueles momentos em que sentimos a rejeição mutilar a alma. Cristo se revela a mim pela profunda compaixão que ele é capaz de sentir por nós.
Cristo se revela a mim quando sou pobre de espírito. Sei que não tenho em mim nada de valor, se comparado a Ele. O que poderíamos oferecer-lhe que já não seja dele? Quando olho para cima, e vejo a sua glória, poder, amor, e em seguida olho para dentro de mim, posso sentir um breve vislumbre do Senhor. É essa desproporção que me encanta. De um lado, tudo, do outro, pouco mais que nada.