Conversa rasa com Pedro Bial

O Pedro Bial resolve tratar do assunto comunicação e fé no seu programa de TV – Conversa com Pedro Bial – em 09/05/17. Para isso, escolhe alguns cristãos que tem algum tipo de expressão na internet: Priscilla Alcântara, cantora e vlogueira; Vini Rodrigues, criador do personagem pr. Jacinto Manto; e Ton Carfi, cantor.

Demorei uns 10 dias para assistir a entrevista. Um misto de falta de interesse com pouco tempo e mais uma pitada de falta de interesse. Acabei vendo-a por conta da repercussão.

Confesso que conheço muito pouco o trabalho dos entrevistados. Sobre a Priscila, sei que distribuía Playstation e Jogo da Vida (o que invariavelmente causava desgosto no ganhador). Sei que canta, mas não a ouço. Sei que tem o vlog, mas não assisto. Tranquilo, não sou o público alvo dela.

Sobre o Ton Carfi, também não conheço o trabalho, me lembro apenas de uma música dele.

Conheço um pouco mais o trabalho do Vini Rodrigues. As brincadeiras que ele faz com o universo evangélico pentecostal e neopentecostal me traz uma certa familiaridade, por eu estar inserido no contexto. Sei que tem críticas sobre isto, mas qualquer pessoa familiarizada com igrejas evangélicas sabe que é comum. Nas rodas de bate papo cristãs sempre tem histórias, anedotas e brincadeiras sobre o nosso jeito, linguajar e costumes. Basicamente o que o mesmo fez foi traçar uma caricatura disto, com as fortes cores do “retété”.

Faço este preâmbulo apenas para deixar claro que não pretendo comentar nada além da entrevista em si. E a entrevista em si foi “só a misericórdia, quérido”.

conversacombial-priscillaalcantara-09052017 (2)_b49ad68518881d3f5059a1d6939b6882fdcb64bf

O problema é a visão de evangelho absolutamente rasa. Quando perguntados sobre o significado de expressão correntes no meio pentecostal, foi um show de despreparo. A resposta era outro jargão, igualmente desprovido de significado.
O que é o manto? É o entrar no mistério. O que é entrar no mistério? É ser canela de fogo. O que é ser canela de fogo? É ser cheio do óleo. O que é ser cheio do óleo? É o manto. Assim é realmente difícil para sermos levado a sério.

Não conseguiram também explicar o falar em línguas estranhas. Não conseguiram responder a diferença entre os anseios de um jovem cristão e um jovem não cristão. O que resolveu o problema de auto estima não é a dignidade inerente da imago Dei, restaurada em nós pela obra de Cristo na cruz. Foi a black music.

Estejam sempre preparados, diz-nos o apóstolo Pedro*, para responder com mansidão em temor a qualquer que pedir a razão da fé de vocês. É, apóstolo Pedro, foi mal.

Às vezes me dá a impressão que o desejo é só ser o “diferentão”. Tanto que quando o assunto se tornou mais sério, com a participação do prof. Ricardo Mariano, apresentado como ateu,  e que iria analisar o fenômeno evangélico, silêncio sepulcral dos convidados.

conversa-com-bial-priscilla-alcantara-jacinto-manto-ton-carfi-professor-ricardo-mariano

Não, professor Mariano, os convidados e suas falas abobalhadas não expressam a realidade cristã evangélica. Não, professor Mariano, as ovelhas não têm dificuldades em serem apascentadas, o que você chama de “controle pastoral”. Prezado professor Mariano, sinto lhe informar que o senhor não entende absolutamente nada sobre igreja cristã e suas vivências. Lamento que os irmãos que estavam aí não tiveram condições de te ensinar algo sobre a beleza da noiva do Senhor, e sobre o que é ser família de Deus.

O que ficou cristalino neste programa é que de fato temos um problema sério no movimento evangélico brasileiro. Fica fácil perceber por que os 60 milhões de evangélicos não causaram um impacto social como deveria. A justiça** não correrá como rios em nossas ruas enquanto a nossa visão de evangelho for paupérrima. Culpa de nós, pastores, que não honramos nossos púlpitos com a pregação clara e pura do evangelho. Esse moralismo capenga transvestido de boas novas não tem poder para transformação do homem.

” Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.” Romanos 1.16

* 1 Pe. 3.15
** Amós 5.24

Diga-me com quem andas…

tribos

“O que anda com os sábios ficará sábio, mas o companheiro dos tolos será destruído”. Pv. 13.20

“Diga-me com quem andas e eu te direi que és”. As vezes a sabedoria popular é sábia.  Este adágio, repetido pelos nossos pais e avós, sempre teve o intuito de nos alertar quanto ao perigo de nos identificarmos com determinados grupos. E, de fato, temos a tendência de nos aproximarmos e andarmos mais com pessoas /grupos que temos afinidades. E essa tendência é facilmente percebida na “tribalização” social, com grupos rotulados e definidos: emos, funkeiros, surfistas, skatistas, pagodeiros, nerds, etc., devidamente agrupados em torno dos seus interesses comuns.

roqueiro cristão

Este fenômeno social tem seu reflexo nos modelos de igreja, infelizmente. Também temos “tribos” devidamente agrupadas em igrejas sob medida: dos surfistas, dos roqueiros/tatuados,  dos que são rígidos em usos e costumes e dos liberais em usos e costumes. No supermercado da fé, escolhe-se o tipo de igreja que combina com você.

Enfatizo que não estou tratando ainda de diferenças doutrinárias, apenas constatando um fato evidente. Porém, dentro do aspecto social, temos que perceber que a “tribalização” de modelo de igreja está na contramão do próprio sentido de ser igreja, composta de pessoas de todas as etnias, classes sociais, níveis culturais, gêneros, e unidos em um só corpo. “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus“. Galátas 3:28

Mas o problema mesmo é quando vemos o cenário doutrinário. Ele também é diversificado, com grupos que se aproximam por afinidades teológicas/doutrinárias. Neo-pentecostais, pentecostais históricos, tradicionais, e por aí vai. Este caso difere do anterior totalmente, pois não se trata de gosto pessoal, e sim de convicção sobre a Verdade. Existe um escopo confessional, um modo de crer.

E se temos duas interpretações diferentes e eu creio naquela que julgo ser verdadeira, necessariamente julgo que a outra interpretação está errada.  E isto não é arrogância, é mera coerência.

10153130_1071340376230734_2892416257366936168_n

Essas reflexões nasceram de um susto. Ao ver uma postagem no Facebook, tremi. Percebi que os limites doutrinários/confessionais dentro do pentecostalismo estão ruindo, e nada de bom pode vir disto.  Vi a divulgação de um evento promovido por Agenor Duque, perfeito representante do pior do universo gospel. Duque recentemente foi até assunto de  uma matéria vexatória na Época.

No mesmo balaio de gato estarão Benny Hinn, e Mike Murdock, e esta informação deveria ser suficiente para qualquer cristão sério fugir para longe.

Diga-me com quem andas

O mesmo evento conta com nomes de pastores assembleianos conhecidos, como pr. Marco Feliciano,  pr. Abílio Santana, pr. Carvalho Jr. Parece-me que não se dão conta que este tipo de associação valida um dos ministérios mais heréticos e vergonhosos do Brasil.  Não que estes pastores que citei sejam exemplo de ortodoxia, mas fazem parte da Assembleia de Deus e ao fazerem isso associam-na com este verdadeiro horror.  Sem contar que se auto-difamam.

Assim destrói-se a diferença entre pentecostalismo clássico, nascido do trabalho de Daniel Berg e Gunnar Vingren, e o neo pentecostalismo, nascido da confissão positiva de Kenneth Hagin e acrescida de sincretismos religioso.  Vira tudo uma coisa só.

O mais grave é pelo fato simples que o neo pentecostalismo brasileiro nem pode mais ser considerado cristão! É um movimento que deve ser rechaçado, pois causa vergonha ao Evangelho e desonra a Pessoa e Obra de Cristo. Não deve ser tolerado, que dirá apoiado e validado.

“Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?
E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?
E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.” 2 Coríntios 6:14-16

Por isso é tão difícil hoje ser um pentecostal clássico.  A barreira entre o agir real do Espírito Santo e as palhaçadas gospel está sendo bombardeada por dentro e por fora da AD.

Internamente somos atacados por “reteté”, pregações emocionalistas “gideônicas”, pantominas de manifestações espirituais. Externamente somos alvejados pelo misticismo, superstições, sincretismos, incorporações de elementos judaizantes, teologia da prosperidade.  Como se não bastasse, agora tentam remover diferença entre os tipos de pentecostais.

Resta-me orar.

Oro por um pentecostalismo com ações reais e livres do Santo espírito, por pregações da Palavra de Deus e do evangelho sem subterfúgios.

Oro para que os pastores da AD não se deixem levar por este engano. Que a AD se levante como referencial de igreja pentecostal séria, que não tem parte com este movimento espúrio.

Oro para que um genuíno avivamento venha do Senhor , e leve-nos a todos à um profundo quebrantamento e arrependimento pelo que temos feito com o evangelho.

 

Conflito entre a Forma e a Essência no Meio Gospel

ouro-no-vaso

Ouvia as músicas do Rodolfo Abrantes na época do Raimundos. Gostava da pegada roqueira, e das letras, que combinavam perfeitamente com o meu “sem-futurismo”* da época.

Tive um impacto quando da saída dele do Raimundos devido a sua conversão ao evangelho, em 2001. Achei uma atitude corajosa, deixar a banda no auge do sucesso, por questões de sinceridade e princípios.
Rodolfo-Abrantes
Gostei do trabalho do Rodox, mas depois de um tempo não me atentei mais para a vida e carreira dele. Esqueci-me.

Em paralelo a isso, vem a minha própria conversão em setembro de 2003, e o as tentativas de encontrar um todo coerente para a minha fé, sobreviver ao movimento neo-pentecostal e retetético.

Sempre observei  a facilidade que as pessoas tem para se encaixar no formato gospel, por causa da minha dificuldade em ajustar-me ao padrão estabelecido.  Quem me acompanha no blog, ou já me ouviu pregando, ou  foi (é) aluno meu sabe bem disto.

Exemplificando, é o caso do cara que era cantor de banda de forró, entra pra igreja, muda o formato e permanece sem alterações essenciais. Se a temática que estava por trás das músicas era o prazer e satisfação mundana, o mesmo padrão permanece como pano de fundo da música gospel.

Ele entra no padrão mais tosco de ser evangélico. É caricato, sem particularidades que expressem a multiforme Graça de Deus. O modelo “Glórias e Aleluias e Lambachurianderras” sem evidência de conversão que mostrem o Fruto do Espírito e o novo nascimento. A galera que trocou a roupa, mas não o coração.

Pra ser sincero não escuto música gospel. Eu louvo ao Senhor através de músicas que falem Dele, e do Seu penoso trabalho.

Pra ser sincero não entendo que adoração é levantar a mão durante a execução da música, fechar o olhos e passar sete minutos repetindo duas ou três frases.

Pra ser sincero não gosto de show gospel, e não o vejo como serviço ao Reino. É somente um negócio, mero entretenimento.

Em meio a esse cenário, de indústria cultural gospel, me surpreendi novamente com o irmão Rodolfo. O cara fora do padrão estético aceito, barbado e tatuado, e consequentemente fora do padrão de “santidade externa”, levanta-se como profeta para denunciar o mercado e a idolatria gospel.thalleco

Sem negociar a Verdade por conveniência, teve ousadia de fazer isso em um evento que ocorreu na Lagoinha. Será que o Thalles Roberto e o seu Thalleco**, ouviram a ministração? Oro pra que todos que ouviram a Palavra encarem as implicações da mesma.

http://www.youtube.com/watch?v=6ftT82r1-JQ

No meio formatado e lambido da industria gospel, o roqueiro (vale lembra que para setores evangélicos, o Rock é do “cão”) foi  quem, com a batida pesada e guitarra, me conduziu a adoração, com a letra que reconhece a fragilidade humana e a dependência de Deus e do seu Poder.

“Eu não posso me conformar
Com esse nível raso
O meu poder humano
Não tem poder pra trazer o teu reino aqui
Minha porção vem do céu
Eu tenho fome de ti, Senhor
Fome de ti, Senhor” – Nível Raso – Abrantes, Rodolfo

Entre formatos, modelos e indústrias, a essência que devemos buscar é de ser servos. O servo é aquele que com o fruto digno de arrependimento expresso na sua vida, nas suas decisões de vida, fortalece a vontade pela busca da “santidade interna”, de transformação. Não podemos mais inverter o começo pelo fim, a causa e a consequência, colocar o carro na frente dos bois.

Em dias assim fico em paz mesmo sabendo que eu talvez nunca entre dentro do esquadro, mas sou grato por não precisar. O Senhor, pela sua misericórdia, tem me permitido servi-Lo pelo amor que há em Cristo.

 

*”Sem-futuro” é uma expressão nordestina, utilizada para os cabras, que de tão sem noção e lesados, são, de fato, sem futuro.

** Thalleco é um ridículo boneco do ídolo gospel Thalles Roberto, ridiculamente vendido por ele mesmo, para crentes absolutamente ridículos comprarem.

Beijinho no Ombro tem Sabor de Mel

bjim mel

Tá bom, confesso meu pecado. Eu vi o clipe da Valesca, da música “Beijinho no ombro”. Não, não vou colocar o link, pois não quero ser culpado pelo sofrimento de vocês. Como atenuante, posso dizer que fui motivado por uma matéria que dizia que o gasto com o mesmo fui na casa de um milhão de reais, e fiquei curioso com a história. Ficou um lance meio “Lady Gaga Xing Ling” .
valesca-popozuda-beijinho-no-ombro-clipe-bcq

Confesso também que o meu primeiro pensamento quando ouvi o início da canção foi: “É música gospel?”. Sério, não foi piada. Sério mesmo.

Antes de me jogarem pedras, peço a boa vontade de pensar um pouco comigo sobre isso. Segue como citação as primeiras frases da dita canção:

“Desejo a todas inimigas vida longa
Pra que elas vejam a cada dia mais nossa vitória”

Hum…  fazendo um rápido paralelo, posso citar como tendo a mesma categoria de pensamento e intenção:

“Quem te viu passar na prova
E não te ajudou
Quando ver você na benção
Vão se arrepender
Vai estar entre a plateia
E você no palco” – Sabor de Mel, Damares

Damares

A música cantada pela Damares se tornou um ícone de como é um louvor que não louva à Deus, e sim ao homem, na minha opinião. O desejo de vingança, de esfregar na cara dos “inimigos/ quem não te ajudou” a tua vitória é um desejo em si pecaminoso.  Não combina com o Jesus da Sagradas Escrituras. Nem com o ensino Paulino.  Nem com a natureza imprecatória de algumas passagens bíblicas.

1 – Como Jesus nos ensina:

“Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;” (Mateus 5:44)  De certa forma ele também vincula a nossa possibilidade de perdão com a capacidade de perdoar, na oração do Pai Nosso (Mateus 6.22), como um indício de que reconhecemos a grandiosidade do fato de sem mérito algum termos recebido a Graça da Salvação por obra exclusiva Dele.

Neste sentido, de acordo com as duas passagens citadas, o desejo de vingança expresso neste tipo de música é totalmente contrária a nossa filiação com o Senhor. Em outras palavras, se tu sentes assim, é necessário nascer de novo. (João 3)

2- Como Paulo nos ensina:

Em Romanos 12:14-21, o apóstolo Paulo explica isso detalhadamente, mas vou tentar sintetizar. O ponto central é a Soberania de Deus. Ele é Rei. E Ele sabe de todas as coisas, e nada está fora do seu perfeito e santo desígnio. E mesmo Deus nos chama para sermos agentes da Sua Graça salvadora, logo eu devo abençoar os que me perseguem, para que sejam alcançados pela Graça e sejam transformados de Saulo para Paulo .

Tenho que entender que sou um subversivo do Reino de Deus, que combate o sistema mundano instaurando um novo padrão de relacionamento a partir de mim, e gerar a paz com os outros, fazendo eco as bem-aventuranças, pois “bem aventurados são os pacificadores”.

Tenho que entender que o juízo contra o ímpio será dado diretamente pelo único Justo Juiz, pois somente ele tem acesso a todas as informações e variáveis. Somente a sua justiça é reta. Por isso que a vingança é Dele, diz o Senhor.

E por isso não cabe a mim pedir o juízo, mas a misericórdia. O juízo já é Dele.

3 – Ensino a partir de textos imprecatórios:

Nesta hora, imagino que já deve ter alguém, possivelmente com formação neo-pentecostal, pensando em situações tipo: “E o salmo 23.5, que diz ‘preparas um mesa perante mim, na presença dos meus inimigos’, hein ? Como fica, irmão Alcir?”

Resposta a) Fica do mesmo jeito 🙂 .

Resposta b) O texto específico tem mais o sentido de que, mesmo que eu esteja cercado por inimigos, a minha comunhão/ mesa permanece e o meu cálice/ unção / presença do Santo Espírito continua a jorrar na minha vida. Trata  sobre permanecer em Cristo, o Sumo Pastor,  a despeito de qualquer adversidade. Por isso que eu posso andar pelo vale da sombra da morte sem medo algum.

Resposta c) Existem várias orações imprecatórias (ou “amaldiçoantes”) na Bíblia. A gente teria que ver um por um pra ser mais preciso, porém a ideia geral nestas passagens é que existe a consequência inevitável para os que permanecerem na iniquidade, e nos tirar da visão toddynho do evangelho de Cristo.

Sim, existe maldição na impiedade, e Cristo se fez maldito na Cruz para pagar esta mesma iniquidade.

Sim, Deus tem uma justa e perfeita ira que se derramará sobre todos os que permanecerem alheios a Cristo.

Sim, o meu coração, quanto mais ligado a beleza de Cristo, tanto mais irá irar-se e contra o pecado, o sistema corrompido pelo pecado, e contra o nosso adversário e sua obra nefasta. Mas não podemos esquecer que a nossa luta não é contra a carne, nem contra o sangue. Não é contra as pessoas.

Para finalizar, fica a pergunta:  Como pode, músicas com o sentimento totalmente mundano serem tidas como louvor?  A reprodução do sistema e sentimentos carnais  aceitos sem nenhum critério dentro do arraial?

Friso também que não tenho pessoalmente nada contra a Damares, e nem contra a Valesca. Não as conheço, e nem estou as avaliando como pessoas. Só não gosto do trabalho de ambas.  E, infelizmente para a Igreja de Cristo, existem mais similaridades do que eu gostaria.

Despeço-me com ósculo santo, no ombro.

 

P.S.: Segue link de um artigo bacana sobre orações imprecatórias. Agradeço a galera do blog Monergismo.

P.S. ²: Não quero implicar com a Damares, mas vale a pena dar uma olhada neste post do Púlpito Cristão.

Inculto de Jovens

Vi por esses dias um convite para um Culto de Jovens. Hoje em dia, com o intuito de atrair pessoas, tem-se feito um esforço criativo de inventar algo que chame a atenção da garotada, o que por si só já é um indício de como estamos distantes do Evangelho da Cruz.  Afinal, o prazer de adorá-Lo e estar na presença de seu Santo Espírito já deveria nos bastar.

Mas, nessa ânsia de novidade, nos deparamos com verdadeiras atrocidades. Abaixo, segue a “arte” do convite. Única alteração que fiz foi grosseiramente apagar o endereço da igreja.

convite_Jesus_Freak

Sem contar com o gosto duvidoso, a primeira coisa que me chamou a atenção foi a mensagem que o convite traz. Um cabra pulando com uma guitarra, utilização do preto, está, em termos de linguagem muito mais próximo de um show de Rock do que com um culto a Deus.

O texto que serve como ancoragem é terrível, tanto linguisticamente, pois “a gente” somos nós, e “agente” é o 007; quanto teologicamente.

Enlouquecer?  Seríamos nós os que perecem? Afinal, o princípio bíblico é que “(…) a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus”. (1 Coríntios 1:18). Na realidade, chegar-se a Cristo não é enlouquecer, é retomar a razão. Afinal, prestamos nosso Culto Racional, através da transformação do nosso entendimento, e buscamos ter a mente de Cristo, algo que não pode, sob nenhum aspecto, ser louca, pois a própria Razão é um atributo de Deus compartilhado com os homens.

Sei que está na modinha gospel a história de ser louco por Jesus. Isso é coisa de cheirador de Bíblia. Se buscarmos ler as Escrituras, ao invés de cheirar ou comer, ganharíamos muito.

Outra coisa que é modinha gospel é a aplicação totalmente equivocada das palavras do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 9:22 “Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns”.  Utilizam este versículo para defender um modernismo na igreja, visando atrair os descrentes. Mas, se esta aplicação fosse correta, poderíamos inferir que devemos nos drogar para ganhar os drogados, adulterar para ganhar os adúlteros, mas simples bom senso já evidencia o absurdo da proposição.  O que o texto realmente vai tratar é sobre empatia e compaixão.E por isso mesmo não invalida a necessidade da Igreja ser Santa.  Nas palavras de Jonathan Edwards: “a igreja deve ser visível, e deve ser visivelmente igreja”.

Mas o pior ainda estar por vir. Devido a minha falta de conhecimento do inglês, pedi ajuda ao amigo e novo “pai dos burros”, o google, para saber o que significa “Freak”, parte do nome do culto. Abaixo, print:

Jesus freak

Talvez o indivíduo que colocou esse nome no culto estivesse pensando em “extravagância”. Se for, já está errado, pois cultos de adoração extravagante é um expressão que remete a inúmeros modismos e heresias modernas, como anjos cutucadores,  anjos massageadores,  e toda uma série de baboseiras neo-pentecostais.

Porém, a escolha do nome é ainda mais infeliz quando se percebe as outras possíveis traduções de “freak”: aberração, capricho, anomalia, aborto, fantasia, esquisito, grotesco, esdrúxulo. 

Meu Jesus, que igreja é essa que estamos construindo?  Que falta de percepção das coisas de Deus! Eu não tenho como descrever a indignação  que sinto em perceber que caminhamos a passos largos para uma apostasia institucional.  Cadê o pastor desse indivíduo, que permite que esse tipo de insulto a Cristo ocorra debaixo do seu nariz?  Quem aprovou essa barbárie?

A igreja está acéfala? Os crentes, firmados na Palavra, estão onde, pensando em que, para não perceber que se um cego guiar outro, ambos cairão? O nosso compromisso é com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra, e não com modinhas e atrair bodes. Como já foi pregado por Charles Spurgeon, estamos apascentando ovelhas ou entretendo bodes?

Pense nisso.

#Podeisso,Arnaldo?

 

O Maior Escândalo de Todos os Tempos

Um escândalo percorre os corredores da congregação, passa pelas casas de família e repercute entre a vizinhança.

Horror! Uma verdadeira vergonha! Com ele pôde cometer um ato tão abjeto, jogar fora o seu ministério e envergonhar o povo de Deus dessa maneira?

Logo ele, que sempre foi um exemplo para os  mais jovens, caiu de modo deplorável. Um silêncio fúnebre restou, após o flagrante delito no qual ele foi pego. Não temos coragem para nos olhar nos olhos, pois a decepção nos pesa sobre os ombros e faz com que fitemos o chão.

Como agora ele irá reconstruir a sua vida, sua vida perante Deus? O que sua esposa irá fazer, será que ela conseguirá perdoá-lo por tamanha hipocrisia, posando de crente enquanto praticava… não consigo nem dizer.  Sabe aquele lance de #VergonhaAlheiaFeelings? Pois é.

Sei que ele poderá se reerguer, que o Senhor poderá restaurá-lo, pois grande é a Sua Graça e Misericórdia.  Mas não se sabe quanto tempo levará até que possa novamente estar de pé entre os santos. Não depois do que ele fez.  Não depois de deixar-se inflamar pelo inferno desta maneira, e ter contaminado todo o corpo.

Tá bem, vou te dizer o que ele fez, mas por favor, não me faça repetir, pois não sei se terei coragem de falar de novo.

Ele foi pego em flagrante ato de FOFOCAR.

“Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo.
Porque todos tropeçamos em muitas coisas.

Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo.
Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo.
Vede também as naus que, sendo tão grandes, e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa.

Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas.

Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia.

A língua também é um fogo; como mundo de iniqüidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno”. 

Tiago 3:1-6

P.S.:  Resolvi colocar esta explicação posterior devido a diversidade de leitores do meu blog. Penso que se não o fizer, tem gente que não entender o que estou querendo dizer com este post.

1 – Este post é ficção, não tente ficar imaginando se estou falando da vida de alguém, pois não estou.

2 – Dentro da igreja, existe uma expressão que comumente é associada a pecados de ordem sexual: “fulano caiu”. Normalmente essa afirmação é seguida da pergunta: “Caiu com quem?”. Infelizmente, por este hábito acaba se considerando pecados apenas os de ordem sexual, e desconsideramos as orientações bíblicas sobre nossa conduta moral em um âmbito mais amplo. E mais infelizmente ainda, percebo que a sociedade como um todo tem perdido os referencias morais.

Este post é sobre isso. Sem valor moral alicerçado, nossa vida espiritual é vazia, superficial, falsa e hipócrita.  Pense nisso.

 

 

Poder Microfoniano – Série Inovações Inovadoras

Descobri que existem microfones que são fogo puro, mistério de giová, e retetétianos. Esses microfones tem em si a capacidade mística de infundir poder pentecostal naquele que segura-o em suas mãos de vaso – o poder microfoniano. Só não percebi ainda qual o fabricante deste tesouro gospel.

Por um erro de observação, até então considerava-se que quem tava “no azeite” era o vaso ou a vasa em questão. Mas não, a unção é do microfone. Se você procurar na sua memória, tenho certeza que já se deparou com uma situação mais ou menos assim:

Cena 01

Local: Uma igreja neo pentecostal fictícia

Tempo: Culto bem “avivado” (segundo o conceito de avivamento da gospelândia)

Personagens: Cantor Convidado, Dirigente do Culto, irmã do louvor, platéia.

Começa o culto com uma oração já inflamada do dirigente. Após a oração, entra a irmã do louvor para cantar uns corinhos de fogo. Canela de fogo pra cá, sapateado pra lá, e a platéia vibra. Como se em uma disputa de torcidas organizadas, o que importa é o berro mais alto, para abafar o grito do vizinho. Mas agora é pra Gezuis.

O dirigente apresenta a grande estrela do culto. Não, não é Cristo, é o Cantor Convidado mesmo, que até então está calado e entendiado. Seu silêncio é sepulcral. Nem um “aleluiazinho” de canto de boca, nem um “gloriazinho” escapado de seu lábios ungidos.

Ao apresentá-lo, o Dirigente pede uma salva de palmas pra Gezuis, como desculpa para ovacionar o convidado. E, emocionado pela presença ilustre de um LEVITA, passa a oportunidade para o mesmo.

O Cantor Convidado  levanta-se, ainda em silêncio. Mas de repente, não mais que de repente, acontece um milagre. Ao pegar no microfone, uma onda “ispritual” passa pelo seu espinhaço, e subitamente dá uma rajada de língua estranha pro teto! É fogo, é canela, é “grória”!  O Cantor Convidado, canta, pula e “profeteia”.

– Quem não abrir a boca e dar um Glória é geladeira! Não tem unção de deus!

Depois de 45 minutos de “bença”, passa a vez para o Dirigente, que reservou os próximos 5 minutos para a meditação na Palavra de Deus, que é a parte mais importante do culto, segundo ele. E curiosamente não se ouve nem mais um “aleluiazinho” do vaso que até então, era puro mistério de giová.

Fim da Cena.

O que concluiremos? É OBVIO que a unção estava no microfone, e quando o vaso colocou a sua mão ungida no poder microfoniano do microfone ungido, a unção ungidora o ungiu um pouquinho mais.  Tá faltando unção? Já tens a solução! 😉

 

Conceitos e palavras

Normalmente desconsideramos o valor dos conceitos claros e a utilização correta das palavras. Por causa disso, nossas palavras perdem o sentido original, e são modificadas e entendidas de modo bem diferente da sua aplicação e sentido original.

Qual o problema disto? Perdemos cada vez mais a capacidade de entender o outro e as coisas.

Servindo-me de um exemplo do Tio Almir, os elementos são tão próximos uns dos outros, que se não conseguirmos delimitá-los eles se confundirão. Enquanto teclo este post, percebo que meu notebook repousa sobre a mesa. Imagine a confusão que seria não perceber a fronteira entre ambos, sua finalidade, suas aplicações. A despeito de estarem absolutamente próximos, o conceito sobre ambos impede que eles se confundam.

Talvez a cerca de objetos concretos seja simples perceber seus limites. Mas, o exemplo acima serve apenas para ilustrar uma realidade abstrata e subjetiva, que tem por característica ser muito mais tênue e fugidia.

Philip Yancey, escritor cristão, capta perfeitamente esta necessidade sobre as palavras e conceitos, e tenta resgatar o sentido da palavra Graça em seu excelente livro “Maravilhosa Graça”.  O excesso de uso indevido tirou o poder e significado de várias palavras, e  Graça é a última palavra que consegue reter, mesmo quando mal aplicada, o cheiro do sentido original, e do anúncio alarmante e inesperado da Graça de Deus operando a salvação.

Pecado é outra palavra que perdeu seu sentido original. Virou  nome de novela, de sex shop, de uma infinidade de produtos. Ser moreno é ter a “cor do pecado”(hãn?), segundo uma expressão popular. Faz parte do nosso cancioneiro, figurando como algo ligado ao prazer e satisfação de desejos.  Por isso é tão difícil nós nos arrependermos, pois de que iríamos de nos arrepender?  De algo em si prazeroso?

A lista de palavras e conceitos errados é enorme. Desde quando louvor virou sinônimo de música? Quando foi que avivamento virou sinônimo de “meninice”? E quando “meninice” foi suprimido do vocabulário pentecostal?

Curiosamente, é em plena era da comunicação que a importância da palavra foi reduzida, talvez pela banalização da cultura, fruto de novos erros conceituais, na medida em que substituímos cultura por informação, e o  conhecimento por verbetes do Wikipédia.

Essa importância pode ser demonstrada em um pequeno trecho do “A menina que roubava livros”, de Markus Zusak:

“Era uma vez um homenzinho estranho, que decidiu três detalhes importantes sobre a sua vida:

  1. Ele repartiria o cabelo do lado contrário ao de todas as outras pessoas.
  2. Criaria para si mesmo um bigode pequeno e esquisito.
  3. Um dia, iria dominar o mundo 

O homenzinho perambulou por muito tempo, pensando, fazendo planos e procurando descobrir exatamente como tornaria o mundo seu. E então, um dia, saído do nada, ocorreu-lhe o plano perfeito. Ele viu uma mãe passeando com o filho.  A horas tantas, ela repreendeu o garotinho, até que ele acabou começando a chorar. Em poucos minutos, ela lhe falou muito baixinho, e depois disso ele se acalmou e até sorriu.

O homenzinho correu até a mulher e a abraçou. ‘Palavras!’ e sorriu. ‘O quê?’ Mas não houve resposta. Ele já se fora. 

Sim, o Führer decidiu que dominaria o mundo com palavras.”(…) 

Infelizmente, foi torcendo as palavras e bombardeando-as de modo incessante que o evangelho tem sido aviltado. E nos ecos da repetição incessante, seguindo a máxima de Goebbels*, impedindo que possamos enxergar os conceitos como ele verdadeiramente são.

Por conta disso, muitos acreditam na idiotizante e forjada “Lei da Semeadura”, com a reinventada tipologia bíblica, onde  agora semente não é mais tipo da Palavra de Deus, nem do Reino de Deus, e sim do dinheiro.

Queridos, só o que posso pedir é que vocês busquem o significado real das palavras. Entendam cada conceito, aquilo que realmente ela é e diz.  Cada palavra será uma descoberta de um mundo de significados, e em cada significado um mundo de ideias e possibilidades. E em meio a este novo universo descortinado pelas palavras, poderemos, com fé e amor, enxergar um pouquinho Dele, porque a lama dos conceitos errados saiu dos nossos olhos, e porque Ele quis se revelar pela Sua Palavra .

* Joseph Goebbles foi ministro de Comunicação de Hitler, responsável pelo intensidade da propaganda nazista. Atribui-se a ele a frase “uma mentira cem vezes dita, torna-se verdade”.

 

Voz da Verdade ou Voz da Heresia?

Lembro-me de que logo que aceitei a Cristo, li numa determinada revista evangélica uma matéria sobre uma heresia da banda gospel Voz da Verdade. Na época, não prestei atenção nisso, por não conhecer nem a banda e nem o que seria ser Unicista (me deem um desconto, pois como já disse, era recém convertido rsrsrs).

Passaram-se os anos, e como nunca mais tinha ouvido falar nesse assunto, imaginei que, sei lá, ou houve uma falha no que eu havia entendido, ou eles tinham reformulado suas posições doutrinárias.

Hoje vemos o Pr. Marco Feliciano lançando um CD com regravações deste grupo. Mesmo não tendo o Pr. Feliciano como um exemplo  de ortodoxia, de sã doutrina, inocentemente imaginei que ele teria algum critério, e que ao divulgar este álbum, ele só afirmaria que é a “maior banda gospel de todos os tempos”  com algum conhecimento de causa.

Então, navegando pela blogsfera cristã, me deparo com um excelente post do Pr. Renato Vargens, criticando o dito grupo e mistério. Fiquei com as zureia em pé.

Não satisfeito, fui fuçar mais. E agora transcrevo trechos com os links para que os irmãos possam ver a fonte da pesquisa – o site oficial da banda e ministério Voz da Verdade:

Manifestações de Deus e não de pessoas distintas

“Essa doutrina de que existem 3 Pessoas distintas é tão contraditória, que quem tenta explicá-la, acaba se confundindo e diminuindo o poder de Deus.
É comum confundirem ” pessoa” com manifestações, dizendo ser três pessoas distintas e ao mesmo tempo ser um Deus, e que ao mesmo tempo não são distintas, mas iguais . Ufa, é difícil mesmo entender o pensamento humano.O inimigo quer destruir o pensamento das pessoas, que sabem muito bem quem é Deus e o que Ele fez para salvar o homem .”

“Ou ele é UM ou não é. Se são 3 pessoas distintas com personalidades não podem ser UMA”

No estudo “Um único Deus “, vemos as afirmações a seguir.

 

“EXISTE UM SÓ DEUS QUE SE MANIFESTOU COMO FILHO ,para remissão dos nossos pecados e hoje está atuando em nossas vidas como ESPÍRITO SANTO.
” JESUS É DEUS” ,se Ele é Deus,e sabemos que Ele é ,analisem tudo que eu escrevi com amor e reflexão.A Bíblia fala :UM SÓ DEUS…
É ESTE DEUS QUE O GRUPO VOZ DA VERDADE ANUNCIA.

EXISTE UM SÓ DEUS QUE SE MANIFESTOU COMO FILHO ,para remissão dos nossos pecados e hoje está atuando em nossas vidas como ESPÍRITO SANTO.” JESUS É DEUS” ,se Ele é Deus,e sabemos que Ele é ,analisem tudo que eu escrevi com amor e reflexão.A Bíblia fala :UM SÓ DEUS…É ESTE DEUS QUE O GRUPO VOZ DA VERDADE ANUNCIA.”

Como podemos perceber, trata-se de uma negação total e completa da doutrina da Trindade. E é esta negação da Trindade eles abertamente anunciam.

Vale a consideração antecipada: Será que isto é tão sério? Será que , tipo assim, não podíamos deixar isso quietinho debaixo do tapete? Qual a importância disso para a vida cristã?

Respondo: É muito sério, não dá pra deixar de lado e e de importância fundamental para a vida cristã.

Toda a revelação de Deus é a base para a salvação e conhecimento de quem o Senhor é. Se você adora a um Deus, mesmo que você chame-o de Deus Pai, ou Jesus, caso ele não seja para você como ele realmente é, você está cometendo idolatria. O invés de adorar o Deus Verdadeiro, você está adorando a um deus que só existe na sua cabeça, e por conseguinte, sendo idolatra.

Sem contar que TODO o evangelho se resume a isso –  conhecer a Deus. E ao conhecê-lo, você será atraído pelo amor profundo Dele, e passará eternidades de eternidades com Ele. O conhecendo cada vez mais.

Portanto, vê se que é um assunto de suma importância. Trata-se, literalmente, de um assunto de vida ou morte.

Você pode estar sendo levado a adorar deuses estranhos sem que você sequer note.

Quanto a Trindade, mesmo sabendo que trata-se de um assunto que está acima da nossa capacidade de compreensão, é abundantemente provado pelas Escrituras.

Resumidamente, a doutrina da Trindade está alicerçada em dois pilares:

a) Deus Pai é Deus, Jesus é Deus, Espírito Santo é Deus. As três pessoas da trindade são distintas, com personalidade própria.  Não se trata de uma pessoa com funções ou manifestações diferentes.

b) Só exite um Deus.  Não são três deuses.

Talvez nós não consigamos juntar estes dois pilares com facilidade. Isso é apenas mais uma prova da sua veracidade, pois recebemos de Deus por revelação algo que é acima da nossa capacidade de entendimento, e absolutamente sem comparação com nada, um vez que não existe nada que se assemelhe ao Senhor.

Mas, pense comigo um instante:

SE, como os unicistas afirmam, não houvesse diferentes pessoas na deidade, como justificar as orações de Jesus? Uma pessoa que fala consigo mesmo com se fora outra pessoa, estaria perigosamente próximo a esquizofrenia.

Não seria loucura afirmações como “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre”.

Seria como se, por exemplo eu falasse assim: “Eu (Alcir) pedirei ao Alcir, e ele mandará o Alcir para ir comprar pão”. Fica absolutamente sem sentido.

Logo, fica demonstrado que são três pessoas distintas na Trindade.

SE, por outro lado, fossem três deuses separados, ao invés de UM só Deus, como conciliar com Cristo Jesus afirmando “Eu e o Pai somos UM” ?

Não adianta querer diminuir a Verdade para que ela caiba na nossa cabecinha. É tentar colocar Deus numa caixinha de fósforo.

Lamento profundamente o posicionamento teológico da “Voz da Verdade”.  Defendendo e proclamando o unicismo estão se posicionando como “Voz da Heresia”.

Na Paz.


Por onde anda a Poesia?

Sou um dos caras mais desatualizados da música gospel. Realmente, não curto muito as músicas que ouço nas rádios evangélicas.

Basicamente, tem três motivos:

1) Não concordo com a visão de Reino impregnada em várias delas. Nesse sentido, irmãos como o Pr. Ciro, que tem vários posts sobre esse assunto, e o Yago Martins, que fala com muita propriedade em um vídeo que vc pode ver na página “vídeos” deste blog (meio óbvio, né?). Sugiro inclusive que deem uma olhada também no Cante as Escrituras.

Quem sabe um dia resolvo me aprofundar no assunto e escrever sobre alguns desses “hinos”?

2) São muito repetitivos. Os caras conseguem fazer uma música com 7 minutos de duração e 3 frases! Haja paciência. Se eu gostasse de mantra eu era Hare Krisna, hindu, ou algo do gênero.

3) São feios mesmo. Pobres poeticamente, de harmonia, de melodia, de tudo. São ruins, então simplesmente não gosto.

Talvez você discorde de mim, e até fique com raiva. Não fique. É só a minha opinião, não quero que você se sinta constrangido(a) a concordar comigo.

Mas, na boa, quando ouço algumas músicas evangélicas mais antigas (e nem precisa ser tão antigas), e comparo com algumas de hoje, eu me pergunto: Por onde anda a poesia?

Palavras brincam conosco
Danças, folguedos e passeios
Troca de entendimento, o oposto
Do dito e desdito no solfejo.

Por onde anda a poesia?
Onde estará a sua trilha?
Nas canções ouvidas não a encontro.
Talvez apenas triste rima.

Queria louvá-lo eternamente.
Queria cânticos que subissem lentamente.
Sem a aridez jornalesca do muito dito,
Nem o mantra hipnótico repetido.

Por onde anda a poesia?
Onde estará a sua trilha?
Nas canções ouvidas não a encontro.
Talvez apenas triste rima.

Doce melodia que encanta,
Cantando minha alma se levanta.
Prazer brotado dos sentidos
Voltados para o Teu amor infindo.

Por onde anda a poesia?
Onde estará a sua trilha?
Nas canções ouvidas não a encontro.
Talvez apenas triste rima.

Trôpego poeta da escrita.
Pena de escritor com pouca tinta.
Não dos meu lábios surgiria
Os versos que minh’alma louvaria.

Por isso peço a ela
À só ela, amada poesia
Volte aos louvores ao Senhor
Sofro desde sua partida.


 

Bônus: Uma poesia de Sergio Lopes.  Ouça, vale o clic.