Liberdade

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Voe, minha alma,
voe livre.
Pois já não tenho amarras.
Troquei-as por novas asas
quando o perdão me alcançou.

Voe, minha mente,
voe aberta.
Tirei o cabresto e o freio
religioso, estreito,
quando a Graça me bastou.

Falem livres, sejam livres.
Minha voz e minha pena,
minha mente e meu poema
Não parem na barreira
Não se contenham pela contenda
de quem nunca O encontrou.

“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” – João 8:36

10 Acusações contra a igreja Moderna – Paul Washer

Penso que esta é  uma das pregações  mais importantes que ouvi.  Temos que pensar no caminho que a igreja tem tomado, por amor a ela e a Cristo, lutar para que ela seja sempre linda, pura, santa e imaculada, glorificando a Deus.

Este post é só pra facilitar os irmãos a verem ela toda. Com um agradecimento especial aos irmãos do Voltemos ao Evangelho.

Soli Deo Gloria

Simples

Foto By Alcir Filho
Simples.
Na simplicidade Tu te revelas.
Direto, inegável, inconfundível Senhor.
Surges por trás das flores.
Num olhar carinhoso,
Na pureza do afeto.
no abraço.
De onde viria a beleza, senão de Ti?
Como eu poderia viver sem Tua vida?
Ponho meus pés na areia
contemplo o mar.
Espelho frágil do Criador.
Seu Espírito é brisa, Sua voz é muitas águas.
Simples.
Tu te afastas das pomposidades
Rejeitas o pré-formulado.
Ainda assim, fabricamos espetáculos
Mesquinhos aos teus olhos.
Para ti, basta o espírito e a verdade.
Ensina-me Senhor, o teu singelo caminho.
Quebranta a minha alma,
permita-me oferecer-te a mim.
Não tenho nada além disso.
De fato, nem tenho isso.

Crenças

Já me perguntaram várias vezes no que creio. Sempre gaguejo na resposta, mas vamos lá:

Creio em Deus profundamente, através da sua revelação completa em Cristo Jesus. Quando olha para Cristo, vejo o Pai, que em seu infinito amor e misericórdia, derrama sua Graça em (até então) des-graçados e (sempre) pecadores, entre os quais me encontro.

Sei que sou amado do Senhor. Sei também o quanto sou indigno disso. Mas quando o Pai me olha Ele não vê a minha iniquidade, Ele vê a Cruz, eternamente coberta com o sangue do Cordeiro imolado antes da fundação do mundo, na qual a multidão dos meus pecados está cravada.

A meu ver, a teologia (que tanto amo) sempre terá mais perguntas que respostas finais. Os que se contentam com respostas decoradas discordarão de mim. Mas Deus sempre será maior que o nosso entendimento. Por isso, não opino sobre quem vai ou não ser salvo, sobre detalhes escatológicos, e sobre um monte de outras coisas. No fim, basta confiar Naquele que deu sua vida por nós, pecadores. Tendo Deus já provado assim o Seu amor, o que temeremos?

Creio na ação, atuação e poder do Santo Espírito. Mas tenho horror a modismos neopentecostais. Irrita-me ver a Glória de Deus transformada em aberrações como “Sapato de Fogo”, gritarias confusas e estridentes, misticismo supersticioso, “Unção do Riso”, tocar Shofar para pseudos atos proféticos. Lamento a falta de exposição clara e simples das Escrituras em pregações puramente emocionais e motivacionais. Lamento também a falta de senso crítico de quem “dá IBOPE” para este tipo de pregações e a falta de temor a Deus e conhecimento bíblico deste tipo de pregadores.

Creio nas Escrituras como revelação de Deus, mas a interpretação dela muitas vezes é questionável. A Bíblia sofre violência diária, pois mutilam e distorcem seu texto para apoiar aquilo que querem dizer. Trocaram, há muito tempo, a “exegese” pela “eixegese”. Devemos, pois, ler a Bíblia diretamente, sem intermediários. Depois, nos aprofundarmos em seu estudo, saindo da trincheira do saber pré-concebido. Uma vez um professor meu da faculdade de Teologia me disse que o “aluno de seminário já entra em sala achando que sabe tudo, o que dificulta o aprendizado”. Penso que ele está certo, mas acrescento que isso não está restrito a alunos de seminário teológico.

Creio no Amor, como valor imensurável e essência Daquele que É. O amor deveria permear nossa realidade cotidiana. Preciso amar para ver o outro, me identificar com suas dores, compartilhar as alegrias. Preciso amar para me importar de verdade com os que estão a minha volta, e romper a barreira do egoísmo nato. Creio que sem isso tudo o que fazemos para Deus é nada.

Para terminar (tem um monte de outras coisas que creio, mas este post este ficando muito grande), creio que este amor vem de Deus, está sobre toda a humanidade, tornando o ar respirável. E que basta crer para vivenciar o este fato.

Orei


Orei. naquele instante permiti que meu espírito se abrisse novamente. As dúvidas, que sempre carrego, levei-as comigo. Minha fé destituída de dogmas, de verdades absolutas, resume-se em confiar numa pessoa – Cristo.

Portanto, ajoelharam-se ao meu lado o medo, a angústia, a incerteza. A percepção de quanto sou pecador me deixa tímido. Não sei o que dizer ao meu Senhor. Calo-me. Descanso na Sua presença.

Há muito tempo rejeitei a eloquência das orações pré-formuladas. Não tem sentido para mim a tentativa de convencer a quem me conhece tão profundamente. Deus não é platéia de um auditório lotado. Recolho-me, fecho a porta do quarto.

Na escuridão do quarto fechado, no silêncio que precede a tempestade, deságuo minha alma como palavras. Uma a uma elas saem de mim, gaguejadas, trôpegas como eu mesmo.

O Meu lamento ecoa pelo cosmo, chega até Ele. Não, chega antes de ecoar, devido sua proximidade. Sei que estará comigo, sempre. O seu Espírito habita no casebre simples, de barro prensado. Habita em mim.

Meus joelhos doem, mas fui aliviado da sobrecarga. Levanto. Ponho o pé (que continua com espinho) de volta no caminho. E continuo caminhando.

Pouco mais que nada

Não tenho vocação para super homem. E ando cansado de velhos chavões, de uma visão distorcida sobre o Cristianismo. Por isso queria dividir com outros a maneira como o vejo. Sei que é só a visão de uma pessoa, que talvez esteja longe de acertar. Mas não tenho pretensões quanto a isso. Apenas cansei da máscara.

Cristo se revela a mim quando leio os evangelhos, mato-me fariseu, e reconheço-me publicano. Tive que lutar arduamente contra a minha tendência de seguir o legalismo religioso que infestava o cenário da vinda de Jesus, e persiste até hoje. Tive que reconhecer que não podemos nos levantar sozinhos. Paralíticos na beira do tanque de Betesda, ou descendo pelo telhado da casa em que Cristo está, somos totalmente dependentes da Graça de Deus.

Cristo se revela a mim quando toca no leproso, e sinto que este toque limpa a minha pele, a minha auto-comiseração, me limpa daqueles momentos em que sentimos a rejeição mutilar a alma. Cristo se revela a mim pela profunda compaixão que ele é capaz de sentir por nós.
Cristo se revela a mim quando sou pobre de espírito. Sei que não tenho em mim nada de valor, se comparado a Ele. O que poderíamos oferecer-lhe que já não seja dele? Quando olho para cima, e vejo a sua glória, poder, amor, e em seguida olho para dentro de mim, posso sentir um breve vislumbre do Senhor. É essa desproporção que me encanta. De um lado, tudo, do outro, pouco mais que nada.

A Peça

Gosto da perspectiva do Eterno. Daquilo que dá sentido ao que não tem sentido em si. De saber que o Tempo, o bom e velho tempo, um dia há de rasgar-se ao meio e revelar o que sempre foi, e sempre será. Perceberei, então, que muitas das minhas questiúnculas foram perda de tempo. Perceberei, então que me apeguei a detalhes, que engoli o boi e engasguei com o mosquito. Os de antigamente estavam certos.

Gosto da perspectiva do Eterno. Sinto-me bem em ser apenas este lapso no tempo, com início-meio-fim tão próximos que se confundem os limites. De saber que o mundo não gira em torno de mim (será?). E no Eterno conhecerei a minha alma, fugidia de mim, fora do meu alcance, sempre. No Eterno os sonhos serão refeitos, poderei senti-la como não sinto agora. Caiu a máscara, fecharam-se as cortinas e o Autor anda no palco. Não serei mais ator, serei eu, finalmente eu, eu e a minha alma, talvez juntos pela primeira vez.

Amo a idéia de Eterno. Do que é, e não pode deixar de ser.

Quem és tu, minha alma?
Fora de mim, dos limites do meu corpo.

Quem és tu, minha alma?
Que pulsa em mim,
Aponta norte,
Movimenta-me sempre.
Biocombustível não patenteado.

Tão inteiramente ligada a mim,
Tão distante.
Somos um,
Quero que sejamos um.
Mas apenas quero.

Quem somos, minha alma?
Depende do dia a resposta.
Todavia, toda via me leva a mim.
A peça já teve 28 atos.
E ainda falta muito para acabar.

(reflexões aos 28 anos, sobre eles.)