Conversa rasa com Pedro Bial

O Pedro Bial resolve tratar do assunto comunicação e fé no seu programa de TV – Conversa com Pedro Bial – em 09/05/17. Para isso, escolhe alguns cristãos que tem algum tipo de expressão na internet: Priscilla Alcântara, cantora e vlogueira; Vini Rodrigues, criador do personagem pr. Jacinto Manto; e Ton Carfi, cantor.

Demorei uns 10 dias para assistir a entrevista. Um misto de falta de interesse com pouco tempo e mais uma pitada de falta de interesse. Acabei vendo-a por conta da repercussão.

Confesso que conheço muito pouco o trabalho dos entrevistados. Sobre a Priscila, sei que distribuía Playstation e Jogo da Vida (o que invariavelmente causava desgosto no ganhador). Sei que canta, mas não a ouço. Sei que tem o vlog, mas não assisto. Tranquilo, não sou o público alvo dela.

Sobre o Ton Carfi, também não conheço o trabalho, me lembro apenas de uma música dele.

Conheço um pouco mais o trabalho do Vini Rodrigues. As brincadeiras que ele faz com o universo evangélico pentecostal e neopentecostal me traz uma certa familiaridade, por eu estar inserido no contexto. Sei que tem críticas sobre isto, mas qualquer pessoa familiarizada com igrejas evangélicas sabe que é comum. Nas rodas de bate papo cristãs sempre tem histórias, anedotas e brincadeiras sobre o nosso jeito, linguajar e costumes. Basicamente o que o mesmo fez foi traçar uma caricatura disto, com as fortes cores do “retété”.

Faço este preâmbulo apenas para deixar claro que não pretendo comentar nada além da entrevista em si. E a entrevista em si foi “só a misericórdia, quérido”.

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O problema é a visão de evangelho absolutamente rasa. Quando perguntados sobre o significado de expressão correntes no meio pentecostal, foi um show de despreparo. A resposta era outro jargão, igualmente desprovido de significado.
O que é o manto? É o entrar no mistério. O que é entrar no mistério? É ser canela de fogo. O que é ser canela de fogo? É ser cheio do óleo. O que é ser cheio do óleo? É o manto. Assim é realmente difícil para sermos levado a sério.

Não conseguiram também explicar o falar em línguas estranhas. Não conseguiram responder a diferença entre os anseios de um jovem cristão e um jovem não cristão. O que resolveu o problema de auto estima não é a dignidade inerente da imago Dei, restaurada em nós pela obra de Cristo na cruz. Foi a black music.

Estejam sempre preparados, diz-nos o apóstolo Pedro*, para responder com mansidão em temor a qualquer que pedir a razão da fé de vocês. É, apóstolo Pedro, foi mal.

Às vezes me dá a impressão que o desejo é só ser o “diferentão”. Tanto que quando o assunto se tornou mais sério, com a participação do prof. Ricardo Mariano, apresentado como ateu,  e que iria analisar o fenômeno evangélico, silêncio sepulcral dos convidados.

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Não, professor Mariano, os convidados e suas falas abobalhadas não expressam a realidade cristã evangélica. Não, professor Mariano, as ovelhas não têm dificuldades em serem apascentadas, o que você chama de “controle pastoral”. Prezado professor Mariano, sinto lhe informar que o senhor não entende absolutamente nada sobre igreja cristã e suas vivências. Lamento que os irmãos que estavam aí não tiveram condições de te ensinar algo sobre a beleza da noiva do Senhor, e sobre o que é ser família de Deus.

O que ficou cristalino neste programa é que de fato temos um problema sério no movimento evangélico brasileiro. Fica fácil perceber por que os 60 milhões de evangélicos não causaram um impacto social como deveria. A justiça** não correrá como rios em nossas ruas enquanto a nossa visão de evangelho for paupérrima. Culpa de nós, pastores, que não honramos nossos púlpitos com a pregação clara e pura do evangelho. Esse moralismo capenga transvestido de boas novas não tem poder para transformação do homem.

” Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.” Romanos 1.16

* 1 Pe. 3.15
** Amós 5.24

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